Ao ser informado sobre a deflagração da operação Sem Desconto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com cobrança imediata ao titular da pasta da Previdência, Carlos Lupi. Lula solicitou explicações sobre a ausência de medidas por parte do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) diante dos abatimentos indevidos aplicados sobre os proventos de segurados em nome de entidades representativas.
De acordo com os responsáveis pela apuração, o INSS já dispunha de informações que apontavam o avanço expressivo desses descontos ao longo dos últimos anos — um indicativo claro de irregularidade que deveria ter motivado ações de fiscalização.
A Polícia Federal avalia que houve falha na gestão, negligência ou até mesmo cumplicidade institucional, já que o trâmite para validar esses descontos ocorre dentro da estrutura administrativa do próprio INSS, responsável pela concessão dos pagamentos previdenciários.
Relatos de bastidores indicam que Lula foi categórico ao solicitar de Lupi um posicionamento transparente: quer saber se houve envolvimento direto de servidores, quem eventualmente se beneficiou do esquema e exige o afastamento imediato de qualquer nome sob suspeita.
A operação identificou acúmulo de bens incompatíveis com a função social dessas entidades — cuja missão seria prestar apoio aos beneficiários do sistema previdenciário, e não gerar lucro para seus dirigentes. Em um dos desdobramentos, a PF apreendeu veículos de luxo avaliados em R$ 15 milhões, pertencentes a um dos investigados.
Em resposta à gravidade dos fatos, o Executivo determinou a interrupção temporária de todos os abatimentos vinculados às entidades envolvidas. O objetivo é separar os lançamentos legítimos — que representam menos de 20% das operações — dos que violam normas legais.
Lula, que tomou ciência do caso logo no início do dia, foi informado diretamente pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Meirelles, e pelo ministro da Controladoria-Geral da União, Vinicius de Carvalho, no Palácio da Alvorada. Demonstrando insatisfação, o presidente orientou que a comunicação oficial enfatizasse o combate à corrupção e a proteção dos segurados lesados.
A estratégia do governo é conter a exploração política do episódio, especialmente nas redes sociais, onde opositores têm buscado associar a administração federal aos desvios. Durante entrevista coletiva realizada no Ministério da Justiça, o discurso unificado reforçou o comprometimento da gestão com a integridade institucional e com a defesa dos aposentados — um segmento do eleitorado que Lula mira com atenção especial.
