O Partido Liberal (PL) está a desenhar uma estratégia para disputar espaço com o Partido dos Trabalhadores (PT) no Nordeste nas eleições de 2026, apostando em chapas exclusivamente do partido. Segundo apuração da analista política Julliana Lopes, no Hora H, a legenda pretende reforçar o chamado bolsonarismo raiz como forma de ampliar a sua presença numa região tradicionalmente dominada pelo PT.
Apesar da força histórica do partido do presidente Lula no Nordeste — com destaque para a Bahia —, há sinais de transformação no perfil do eleitorado. O crescimento de eleitores identificados com a direita, em especial entre o público evangélico, é visto pelo PL como uma oportunidade, ainda que Lula continue a liderar as sondagens na região.
Como parte desse plano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá iniciar, nas próximas semanas, uma série de deslocações a pontos considerados estratégicos no Nordeste. A iniciativa tem como objetivo dar início à construção de uma pré-campanha, com palanques já definidos em cidades-chave para o partido. De acordo com a apuração, as visitas devem começar dentro de, no máximo, duas semanas.
Ao contrário do que ocorre no Sul do país — onde o PL tem firmado entendimentos com outras siglas, como o PP em Santa Catarina —, no Nordeste a opção passa por candidaturas sem coligações. A avaliação interna é que as alianças entre o PT e partidos do Centrão são demasiado sólidas na região, dificultando acordos semelhantes por parte da oposição.
Foco no bolsonarismo no Nordeste
A intenção do PL é apresentar no Nordeste nomes que expressem de forma clara a identidade bolsonarista, defendendo os princípios e bandeiras centrais do grupo político liderado por Jair Bolsonaro. Esta abordagem difere da estratégia adotada noutras regiões, onde o partido tem recorrido a composições políticas mais amplas.
Ainda assim, não é certo que o plano traga os resultados esperados. De acordo com a analista, Flávio Bolsonaro é visto como o adversário preferido do PT num eventual confronto eleitoral. Além disso, o Nordeste continua a ser um território amplamente favorável aos petistas, o que representa um desafio relevante para as ambições do PL na região.
