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Economia

Brasil concentrou 78% dos negócios de private equity na América Latina em 2020, revela Bain

Última atualização: 18 de Março, 2021 17:35
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
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Arrecadação de investimentos na região movimentou US$ 7 bilhões no ano passado

Em um ano de grandes rupturas, o mercado mundial de private equity saiu ileso. O relatório “Global Private Equity Report”, da Bain  & Company aponta que, apesar da desaceleração no início da pandemia, o setor retomou seu equilíbrio após o terceiro trimestre e fechou 2020 com crescimento de 8% em comparação aos níveis do ano anterior. 

O Brasil permanece como a região mais relevante para investimentos na América Latina, concentrando 78% dos negócios, que totalizaram US$ 7 bilhões em 2020. Historicamente, o mercado  movimenta de US$10 a US$13 bilhões anualmente. Entre os setores de maior destaque estão os de finanças, tecnologia, infraestrutura, seguido por varejo e bens de consumo, além do crescimento de empresas na área da saúde.

Com base na forte atividade global no início de 2021, a demanda reprimida provavelmente terá um  impacto positivo no mercado, com os indicadores sugerindo que os fundos continuarão em busca de negócios nos setores menos afetados pela crise da Covid-19. Os dados coletados de janeiro e fevereiro apontam um resultado 60% maior do que a média dos primeiros dois meses dos últimos cinco anos.

Empresas de aquisição de propósito específico (SPACs) explodiram no cenário financeiro em 2020, levantando US$ 83 bilhões em capital novo, principalmente nos EUA, mais de seis vezes o anterior recorde estabelecido apenas um ano antes. 

“A rápida recuperação do setor não é surpreendente. As recessões normalmente oferecem aos fundos de Private Equity uma oportunidade relativamente tranquila para encontrar ativos em dificuldades e retomar o ciclo”, conta André Castellini, sócio da Bain & Company. 

O levantamento aponta ainda que os principais fundos cresceram ao longo dos últimos anos, com destaque para o Softbank, que captou US$ 5 bilhões em 2019 para o seu fundo de inovação. 

Outro aspecto apontado foi a comparação entre fundos de riqueza soberana e fundos privados, já que ambos têm sido mais ativos em buscar investimentos diretos. Há interesses de negócios maiores e ligados em novos modelos de negócios focados em tecnologia. Entre as principais áreas de interesse estão finanças, varejo/e-commerce e educação. 

Os principais desafios enfrentados pelos fundos são tamanho do negócio, número de transações e maior incerteza de resistência do modelo de negócios, além do papel dos fundadores proprietários. Por isso, passam a priorizar avaliação das necessidades básicas, ponto problemático e proposta de valor; cenários potenciais de dimensionamento de mercado; ambiente competitivo e cenários de mudança; posicionamento do cliente e simuladores financeiros. E dão menos atenção a previsões (externa e interna), além da análise do plano de negócios.

“É possível ver a consolidação de fundos menores nestes últimos anos, a saída de alguns fundos estrangeiros e aumento do ceticismo quando o comitê de investimento se encontra fora do Brasil, além do interesse contínuo de fundos não presentes localmente em grandes transações como forma de manter reserva de caixa”, completa Castellini. 

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