Durante entrevista ao programa Mais Você, da TV Globo, nesta quinta-feira (31), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros poderá, paradoxalmente, favorecer a tendência de queda nos preços de alimentos no mercado interno.
“A boa notícia é que há uma tendência de queda no preço dos alimentos”, disse Alckmin.
Segundo o vice-presidente, produtos como arroz, feijão, óleo de soja e algumas frutas já registram recuos de preço devido a três fatores:
- Valorização do real (queda do dólar);
- Condições climáticas favoráveis;
- Safra recorde, com crescimento estimado de até 10%.
Exportações x Oferta Interna
Ao ser questionado sobre o impacto específico da tarifa de 50% em carnes, café, frutas e pescados — produtos diretamente atingidos pela medida — Alckmin disse que a imposição poderá ampliar a disponibilidade interna desses itens:
“É difícil, peremptoriamente, afirmar, mas é óbvio que você vai ter que colocar mais desses produtos aqui dentro.”
Ainda assim, o vice-presidente destacou que grande parte das exportações é complementar à produção nacional, e não concorre com o abastecimento doméstico:
“Você atende o mercado interno e o resto você exporta.”
Contexto
A medida tarifária dos EUA, anunciada pelo presidente Donald Trump, entra em vigor na próxima sexta-feira, 1º de agosto, e prevê uma sobretaxa de 50% sobre importações brasileiras, afetando diretamente setores agropecuários e alimentares.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil pode perder até US$ 1 bilhão em exportações de carne bovina em 2025, caso a tarifa se mantenha.
