O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi enfático nesta terça-feira (5) ao afirmar que a privatização do PIX está completamente fora de cogitação. Durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável — o Conselhão, colegiado que reúne representantes do governo, setor produtivo e sociedade civil — Haddad ressaltou que o Brasil não cederá a pressões de multinacionais incomodadas com o sucesso do sistema de pagamentos instantâneos.
“Nós não podemos nem sonhar, nem pensar, nem imaginar privatizar algo que não tem custo para os cidadãos”, declarou o ministro. “Mexer no PIX seria ceder a pressões internacionais. Isso está completamente fora de cogitação.”
Investigação dos EUA gera preocupação
A fala de Haddad ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciar, em julho, a abertura de uma investigação comercial sobre o PIX, por possíveis impactos concorrenciais em empresas de tecnologia e serviços financeiros norte-americanas.
O PIX, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil e lançado em 2020, revolucionou o sistema de pagamentos ao oferecer transferências gratuitas, instantâneas e disponíveis 24 horas por dia. Sua ampla adoção no país tem gerado desconforto em empresas estrangeiras que atuam no setor financeiro.
Defesa da soberania tecnológica
Haddad classificou como “absurda” qualquer possibilidade de entregar ao setor privado uma ferramenta pública que promove inclusão financeira e reduz custos para a população e empresas brasileiras.
“Eles [as multinacionais] ganharam por décadas com suas tecnologias. Agora que nós criamos algo eficiente, querem nos pressionar. O PIX é nosso, é do povo brasileiro”, reforçou.
O ministro também destacou que o sucesso do PIX demonstra a capacidade do Estado brasileiro de inovar em soluções tecnológicas públicas que beneficiam toda a sociedade.
