Uma nova suspeita de práticas ilícitas atribuída ao Banco Master envolve a utilização de recursos financeiros geridos pela Reag DTVM, entidade do setor financeiro que é alvo da operação Carbono Oculto, investigação que apura esquemas associados à máfia dos combustíveis e eventuais ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A comunicação de indícios criminais foi encaminhada pelo Banco Central (BC) ao Ministério Público Federal (MPF) no dia 17 de novembro, podendo envolver um montante estimado em R$ 11,5 bilhões.
De acordo com os elementos apurados pelo BC e remetidos ao MPF, os fundos sob gestão da Reag teriam sido utilizados para realizar injeções de capital no Banco Master, com o objetivo de assegurar a continuidade operacional da instituição nos últimos meses do ano.
No entanto, o órgão regulador reuniu informações que indicam que esses valores estariam associados a ativos de reduzida liquidez, cujo valor económico real seria significativamente inferior ao montante pelo qual foram registados nas transações. Em termos práticos, os ativos não corresponderiam aos valores contabilizados nas operações.
Segundo os relatórios técnicos do Banco Central, posteriormente encaminhados ao Ministério Público Federal, o mecanismo operacional investigado seguia, de forma recorrente, a seguinte dinâmica:
- o Banco Master concedia crédito a uma determinada sociedade empresarial;
- essa entidade direcionava os recursos para aplicações em fundos de investimento;
- o fundo inicial adquiria instrumentos financeiros — como títulos — com liquidez extremamente limitada e valores artificialmente inflacionados;
- ativos avaliados, por exemplo, em R$ 100 eram negociados por R$ 1.000, num cenário ilustrativo.
Neste circuito financeiro, as empresas envolvidas — associadas a Daniel Vorcaro ou a indivíduos do seu círculo de confiança — recorriam a fundos administrados pela Reag, instituição que passou a ser investigada no âmbito da operação Carbono Oculto, sob suspeita de lavagem de capitais provenientes do crime organizado. A Reag encontra-se atualmente sob investigação da Polícia Federal.
O blog teve acesso a excertos da “Notícia de Fatos” remetida pelo Banco Central ao Ministério Público Federal. No documento, é referido que:
“Os acontecimentos aqui descritos apresentam indícios da prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, supostamente cometidos por dirigentes do Banco Master S/A, instituição líder do conglomerado prudencial Master, e da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (Reag DTVM).”
