Polícia Federal suspeita que Filipe Martins, réu na trama golpista, tenha forjado registro de entrada no país para dificultar apurações
A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine a abertura de uma investigação para apurar se Filipe Martins, ex-assessor especial para assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), simulou sua entrada nos Estados Unidos no fim de 2022.
Segundo a PF, o registro oficial indicava que Martins teria desembarcado em solo norte-americano em 30 de dezembro de 2022, acompanhando Bolsonaro, que viajou para a Flórida dois dias antes de deixar o cargo. No entanto, informações enviadas pela Alfândega dos EUA apontam que não há registro de entrada do ex-assessor no país nessa data.
Os investigadores acreditam que a suposta inserção dos dados possa ter sido realizada para atrapalhar as investigações relacionadas à trama golpista de 8 de janeiro de 2023, da qual Martins é réu no STF.
“O registro de entrada de Filipe Martins Pereira nos Estados Unidos, ainda que em caráter indiciário, revela a possibilidade de que integrantes da organização criminosa, abusando dolosamente das prerrogativas diplomáticas, tenham se utilizado do procedimento migratório diferenciado relacionado a comitivas de chefes de Estado (…) com a finalidade de simular uma falsa entrada em território norte-americano”, escreveu a PF em documento encaminhado à Corte.
O pedido será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado.
