Durante a Páscoa, o aumento do consumo de alimentos com altos níveis de açúcar, como os tradicionais ovos de chocolate (com versões “turbinadas” com recheios e coberturas ainda mais ricas em açúcar” levanta questionamentos sobre os efeitos no cérebro.
Mais do que apenas um impacto pontual na saúde, especialistas destacam que o problema está na repetição de hábitos enraizados que podem influenciar o comportamento, a cognição e a regulação emocional.
De acordo com a endocrinologista e especialista em Neurociências e Comportamento, Dra. Jacy Maria Alves, o feriado apenas evidencia padrões já existentes na rotina.
“A Páscoa é marcada por um consumo alto de alimentos com muito açúcar, a questão não é exatamente o consumo no feriado, um dia isolado, mas sim quando isso reflete vícios de rotina fortemente intrincados no dia a dia”, afirma.
O açúcar e o sistema de recompensa
O consumo elevado de açúcar ativa circuitos cerebrais relacionados à dopamina, responsável pela sensação de prazer e recompensa. Esse mecanismo pode aumentar a busca por estímulos rápidos, favorecendo padrões repetitivos de consumo.
“Quando há um estímulo frequente do sistema de recompensa, o cérebro tende a priorizar as gratificações imediatas, o que pode impactar bastante decisões e comportamento”, explica a Dra. Jacy Maria Alves.
Impactos na atenção e no humor
Oscilações glicêmicas também podem interferir bastante em algumas funções cognitivas. Picos e quedas rápidas de energia podem gerar uma fadiga mental, irritabilidade e até mesmo dificuldade de concentração.
“A variação brusca da glicose influencia o funcionamento cerebral e pode afetar foco e a estabilidade emocional”, destaca.
O papel da rotina na saúde integral
Mais importante do que o consumo isolado é a frequência em que ele ocorre. Quando o açúcar se torna parte constante da rotina, o cérebro se adapta a esse padrão, reforçando a necessidade de estímulos prazerosos.
“Observar o comportamento durante o feriado é uma oportunidade para identificar hábitos e ajustar o estilo de vida”, conclui a Dra. Jacy Maria Alves.
