A confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei pela TV estatal iraniana na madrugada deste domingo (1º) representa um momento sem precedente na história da República Islâmica fundada em 1979. Khamenei ocupava o cargo de líder supremo há 36 anos — desde a morte do aiatolá Khomeini — e concentrava poderes que, pela constituição iraniana, não existem em nenhum outro posto do Estado.
O líder supremo comanda as Forças Armadas, nomeia o chefe do Judiciário, controla a mídia estatal, define as diretrizes gerais da política interna e externa e tem poder de veto sobre qualquer decisão governamental. Não há eleição para o cargo. É vitalício. E não há plano de sucessão estabelecido de forma transparente.
A solução encontrada neste domingo — a formação de um conselho colegiado de emergência com o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholam Hossein Mohseni Ejeie, o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf e o aiatolá Alireza Arafi, representando o Conselho dos Guardiões — é uma resposta improvisada a um colapso institucional sem precedente.
Os ataques conjuntos de Israel e EUA deixaram ao menos 201 mortos e 747 feridos, segundo a Sociedade Crescente Vermelho. Além de Khamenei, o ex-presidente Ahmadinejad, o secretário do Conselho de Defesa e o comandante da Guarda Revolucionária também foram confirmados entre os mortos.
As cenas vindas das ruas iranianas revelam uma fratura que o regime nunca admitiu: luto em Teerã, estátuas derrubadas em Dehloran e celebrações em Karaj. A reação da população não é uniforme — e isso, por si só, é uma informação geopolítica relevante.
Para analistas de risco, investidores e organizações com qualquer presença na região: o Irã entra numa fase de imprevisibilidade institucional profunda. Como as facções internas do regime vão disputar o poder, como os aliados regionais de Teerã vão se reposicionar e qual será a resposta da comunidade internacional são variáveis ainda sem resposta.
O mundo que existia na sexta-feira, 28, não é mais o mesmo.
