O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira, dia 12, que as elevadas taxas de juros são o principal motor do endividamento das famílias brasileiras. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, o integrante do governo federal classificou a situação como uma transferência massiva de recursos do setor produtivo e dos trabalhadores para o sistema bancário, defendendo que a educação financeira, por si só, é insuficiente para conter o problema.
A crítica aos juros e a comparação internacional
Boulos rejeitou a ideia de reduções graduais e lentas na taxa de juros básica, argumentando que o ritmo atual levaria décadas para atingir patamares aceitáveis. O ministro classificou o nível das taxas brasileiras como injustificável e escandaloso, comparando a realidade nacional com a de outros países. Ele destacou que nações com maior risco econômico praticam juros significativamente menores que os do Brasil.
Para ilustrar a discrepância, o ministro citou as taxas de crédito ao consumidor. Enquanto na Espanha a inadimplência é de 3,5% e os juros ficam em torno de 3%, no Brasil a inadimplência média é de 4,2%, mas os juros cobrados chegam a 65%. Segundo Boulos, essa disparidade atende exclusivamente aos interesses dos bancos, prejudicando o desenvolvimento de empresas e o orçamento das famílias.
Limitações do programa Desenrola
Embora reconheça o impacto positivo do Desenrola Brasil, que já registrou R$ 1 bilhão em renegociações em apenas uma semana e oferece descontos médios de 65% nas dívidas, o ministro alertou que a medida é paliativa. Ele reiterou que a necessidade de novas edições do programa dependerá diretamente da manutenção ou redução dos juros praticados pelo mercado.
Impacto das apostas online
O ministro também abordou o crescimento das apostas online, classificando o fenômeno como uma epidemia que agrava o endividamento doméstico. Boulos apontou que essas plataformas têm sido utilizadas por organizações criminosas para lavagem de dinheiro, fato corroborado por diversas operações da Polícia Federal. Além disso, ele criticou a carga tributária sobre o setor, que paga 12% de imposto, enquanto trabalhadores assalariados, como jornalistas, enfrentam alíquotas de até 27,5% no Imposto de Renda.
