A Petrobras descartou mudanças bruscas nos preços dos combustíveis no Brasil, mesmo diante da valorização do petróleo no mercado internacional provocada pelo conflito no Oriente Médio. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, que a estratégia central da companhia é elevar a produção de derivados para assegurar a estabilidade energética do país.
Desafios do mercado global
O cenário de tensão geopolítica, intensificado desde o final de fevereiro com ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, afetou o Estreito de Ormuz. Essa rota é vital para o fluxo de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural. Com a instabilidade logística, a oferta global de óleo cru diminuiu, elevando a cotação do barril do tipo Brent de patamares próximos a 70 dólares para picos acima de 120 dólares.
Como o petróleo é uma mercadoria negociada globalmente, o Brasil sente o impacto dessa escalada. Para conter o repasse desses custos ao consumidor, o governo federal tem adotado medidas como a isenção de tributos federais e subvenções econômicas aos produtores e distribuidores. Até o momento, a Petrobras reajustou apenas o diesel e o querosene de aviação, mantendo o valor da gasolina estável.
Monitoramento e competitividade
A manutenção do preço da gasolina leva em conta a concorrência com o etanol e a participação de mercado da estatal. Magda Chambriard explicou que, como o Brasil possui uma frota de veículos flex, o consumidor final tem autonomia para escolher o combustível mais vantajoso no posto. A diretora de Logística, Angelica Laureano, ressaltou que o preço atual está equilibrado e que eventuais ajustes não dependem da aprovação de projetos de lei em tramitação no Senado, embora medidas legislativas possam auxiliar a evitar repasses ao consumidor.
Desempenho financeiro e operacional
A companhia apresentou resultados operacionais robustos no primeiro trimestre de 2026, com um aumento de 16,1% na produção de óleo e gás em comparação ao mesmo período de 2025. O Fator de Utilização Total das refinarias superou 100%, marca não atingida desde 2014. Esse desempenho foi impulsionado por investimentos em confiabilidade das estruturas e um cronograma de manutenção reduzido para o ano.
O lucro da Petrobras no primeiro trimestre atingiu 32,7 bilhões de reais, dobrando o valor registrado no trimestre imediatamente anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve um recuo de 7,2%, que a empresa atribui a variações cambiais. A estatal finalizou o período com investimentos de 26,8 bilhões de reais e uma dívida controlada em 71,2 bilhões de dólares, mantendo-se dentro dos limites estabelecidos em seu plano de negócios vigente até 2030.
