A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, em uma ação abrangente que cumpriu sete mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A ofensiva, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, também alcançou policiais federais da ativa, incluindo uma delegada, e agentes aposentados suspeitos de envolvimento em uma rede de crimes estruturada.
Estrutura e atuação dos grupos criminosos
A investigação, detalhada na decisão do ministro André Mendonça, aponta a existência de dois núcleos operacionais distintos. O primeiro grupo, apelidado de A Turma, era especializado em ameaças, intimidações e na obtenção ilícita de dados sigilosos por meio de acessos indevidos a sistemas do governo. Já o segundo, conhecido como Os Meninos, focava em atividades de alta complexidade tecnológica, como ataques cibernéticos, derrubada de perfis em redes sociais, invasões telemáticas e grampos telefônicos ilegais.
Coordenação e continuidade das atividades ilícitas
O comando dessas células criminosas era atribuído a Felipe Mourão, identificado como Sicário, que tirou a própria vida após ser detido em março deste ano. Apesar da deflagração da primeira fase da operação em novembro passado, os documentos judiciais indicam que o esquema manteve suas atividades criminosas. Os envolvidos respondem por uma série de delitos, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
Medidas cautelares e desdobramentos
Além das prisões, a Justiça ordenou o bloqueio e o sequestro de bens dos investigados, bem como o afastamento imediato dos policiais envolvidos de suas funções públicas, proibindo o acesso deles às dependências da Polícia Federal. Marilson Roseno da Silva, apontado pelo ministro André Mendonça como o líder dessa organização violenta e detido desde março, terá sua custódia transferida para o sistema penitenciário federal para evitar riscos à continuidade das investigações.
