A Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nesta quinta-feira, 14 de novembro, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero. Ele é apontado pelas autoridades como o principal articulador de um grupo conhecido como A Turma, uma espécie de milícia pessoal utilizada para monitorar e intimidar desafetos da família Vorcaro.
A estrutura da organização criminosa
O relatório encaminhado pela corporação ao Supremo Tribunal Federal aponta que o grupo operava sob comando direto de Henrique Vorcaro, que financiava as ações ilícitas e mantinha contato constante com os operadores. O ministro André Mendonça, responsável pela autorização da prisão, destacou que o envolvimento de Henrique era indispensável para a manutenção das atividades criminosas, inclusive durante o curso das investigações.
As evidências foram obtidas a partir da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos, incluindo o celular do próprio investigado e de Marilson Roseno da Silva, um policial federal aposentado. Marilson é acusado de gerenciar as ações de campo e de corromper agentes da ativa para obter acesso a informações sigilosas sobre inquéritos que visavam os Vorcaro.
Operações de inteligência e intimidação
Entre os presos nesta fase da operação está Anderson da Silva Lima, policial federal lotado no Rio de Janeiro. Segundo as apurações, ele utilizava sua posição e contatos internos para realizar consultas em sistemas restritos, atendendo aos interesses do núcleo familiar. Devido ao seu papel estratégico na rede de proteção ao grupo, o ministro Mendonça determinou que Marilson Roseno fosse transferido para o Sistema Penitenciário Federal.
A atuação do grupo não se limitava a investigações, estendendo-se a ameaças físicas e crimes cibernéticos. Manoel Mendes Rodrigues, apontado como líder de uma filial da milícia no Rio de Janeiro, foi detido sob a suspeita de ter ameaçado de morte um comandante de iate e um chefe de cozinha em Angra dos Reis. Na ocasião, ele teria se identificado como ligado ao setor do jogo do bicho e aliado de Vorcaro.
Crimes digitais e desdobramentos
A faceta cibernética da organização era operada por David Henrique Alves, responsável pela contratação de hackers para invasões e monitoramento digital. Alves foi detido anteriormente enquanto tentava fugir com computadores que, segundo a PF, seriam destruídos para ocultar provas. Além dele, outros suspeitos, incluindo Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier, foram identificados como executores desses ataques.
Ao todo, sete pessoas foram presas na operação desta quinta-feira. Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro classificou a prisão como grave e desnecessária, argumentando que a medida foi tomada antes que ele tivesse a oportunidade de prestar esclarecimentos. Os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta sustentam que os fatos investigados possuem justificativas econômicas e que a defesa não foi previamente consultada sobre os pontos questionados no processo.
