O número de imóveis interditados após a explosão ocorrida na última segunda-feira, no bairro do Jaguaré, na zona oeste da capital paulista, chegou a 27 até a noite de quarta-feira. O balanço foi atualizado após a realização de 112 vistorias técnicas conduzidas pela Defesa Civil estadual, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas e pelas concessionárias Sabesp e Comgás. Enquanto 86 residências foram liberadas para retorno seguro, os imóveis que apresentam danos estruturais mais severos passarão por uma nova rodada de avaliações nesta quinta-feira.
Apoio às famílias e reparos
Para mitigar os impactos imediatos do acidente, 232 pessoas foram cadastradas e receberam um auxílio emergencial de 5 mil reais cada, além de estarem sendo acomodadas em hotéis da região. As empresas responsáveis pelo serviço afirmaram que arcarão com os custos de reconstrução das moradias atingidas, e as obras de recuperação já começaram nos locais que receberam o aval dos técnicos. Paralelamente, o governo estadual criou a Gerência de Apoio do Jaguaré para centralizar a coordenação das ações emergenciais e a restauração da área afetada.
Apuração e contexto político
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo notificou a Sabesp e a Comgás para que apresentem esclarecimentos sobre o episódio até esta sexta-feira. O objetivo é subsidiar um processo de fiscalização que determinará as causas da explosão e eventuais sanções contratuais. O caso reacendeu o debate sobre a privatização da Sabesp, concluída em julho deste ano, e trouxe à tona críticas de entidades sindicais.
Críticas ao modelo de gestão
O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo divulgou nota repudiando o que chamou de desmonte técnico da companhia. A entidade argumenta que a redução do quadro próprio e a saída de profissionais experientes, em prol de indicadores financeiros de curto prazo, comprometem a segurança operacional. De forma similar, o Sintaema apontou riscos relacionados à diminuição de equipes de manutenção. O tema também é alvo de análise no Supremo Tribunal Federal, onde tramita uma ação movida pelo Partido dos Trabalhadores que questiona a legalidade e os critérios do processo de desestatização da empresa.
