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Ondas de calor causaram 120 mil mortes no Brasil ao longo de duas décadas
Saúde

Ondas de calor causaram 120 mil mortes no Brasil ao longo de duas décadas

Última atualização: 17 de Junho, 2026 20:47
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Tomaz Silva/Agência Brasil
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Brasília (DF) – O impacto das temperaturas elevadas no país atingiu um patamar alarmante entre os anos de 2000 e 2019. Um levantamento técnico divulgado nesta quarta-feira (17) estima que cerca de 120 mil óbitos ocorridos no período tiveram relação direta com ondas de calor. O número representa 0,6% do total de mortes registradas no Brasil, excluindo-se as causas externas, como acidentes e violência.

O estudo, assinado por especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), realizou uma varredura em 5.566 municípios brasileiros. Apenas quatro cidades ficaram fora do recorte técnico: Itaparica e Madre de Deus, na Bahia; Fernando de Noronha, em Pernambuco; e Bombinhas, em Santa Catarina. A análise cruzou dados climáticos — considerando frequência, intensidade e duração dos episódios — com os registros do sistema hospitalar nacional.

Riscos por faixa etária

Os dados revelam que o calor extremo não afeta a população de forma uniforme. Entre os brasileiros com mais de 60 anos, o organismo demonstrou uma vulnerabilidade acentuada a doenças renais, metabólicas e respiratórias. O estudo pontua que quadros cardiovasculares desencadeados por esses picos de temperatura podem evoluir para casos fatais com rapidez, muitas vezes antes mesmo de o paciente chegar a uma unidade de saúde.

Já no público infantil, com menos de 10 anos, o cenário é outro: a internação por gastroenterite lidera as estatísticas de urgência. A explicação, segundo a equipe de pesquisa, reside na maior suscetibilidade à desidratação e à rápida degradação da qualidade da água e dos alimentos quando as temperaturas sobem drasticamente.

Desigualdade e monitoramento

O levantamento desenha um mapa claro das desigualdades sociais perante o clima. O risco de morte apresenta um gradiente social nítido, sendo proporcionalmente maior entre indivíduos de menor escolaridade. A coordenadora da análise, Beatriz Oliveira, enfatiza que a intenção foi integrar a caracterização climática a um diagnóstico robusto de saúde pública, permitindo que políticas de proteção alcancem, de fato, os grupos mais expostos.

A frequência dos eventos extremos também mudou drasticamente nas últimas duas décadas. Enquanto o Norte e o Centro-Oeste enfrentaram ondas de calor mais recorrentes e prolongadas, as regiões Sul e Sudeste registraram picos de intensidade mais acentuados em comparação às médias históricas.

Para o pesquisador Ismael Silveira, o reconhecimento dessas ondas como um risco real para a saúde pública é o primeiro passo para a mudança. A recomendação da equipe é direta: fortalecer os sistemas de alerta antecipado e incorporar o monitoramento climático à rotina de vigilância epidemiológica do SUS. O objetivo final é a construção de cidades que não apenas suportem as novas realidades térmicas, mas que protejam quem nelas habita.

MARCADOBrasilFiocruzmudanças climáticasondas de calorSaúde Pública
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