Rio de Janeiro (RJ) – O esforço para ampliar a capacidade extrativa nas bacias marítimas brasileiras colheu um resultado histórico entre abril e junho de 2026. No período, o volume diário de petróleo e gás natural extraído alcançou a marca inédita de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente (boed). O montante representa um salto expressivo de 14,1% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, além de uma expansão de 3,4% frente aos três primeiros meses deste ano.
Por trás dessa escalada operacional está o ganho de eficiência em estruturas estratégicas do pré-sal. O desempenho foi impulsionado pelo rendimento dos navios-plataforma Maria Quitéria, ancorado no campo de Jubarte, e Alexandre de Gusmão, que opera na área de Mero. Contribuíram também para o resultado o avanço da P-78 e a entrada em atividade do FPSO P-79, ambos localizados no campo de Búzios, um dos ativos mais produtivos do país.
Expansão da malha de poços
A consolidação desse patamar produtivo foi reforçada pela ativação de dez novos poços produtores ao longo do segundo trimestre. Desse grupo, quatro iniciaram suas operações na Bacia de Campos, tradicional polo produtor do litoral fluminense, enquanto os outros seis começaram a bombear óleo a partir da Bacia de Santos, consolidando a relevância da região para o portfólio da companhia.
Menor dependência externa
Como consequência direta do avanço na extração, a dinâmica do comércio exterior passou por ajustes significativos. O volume destinado às exportações subiu para a casa de 1 milhão de barris por dia. Simultaneamente, a necessidade de buscar matéria-prima no mercado internacional despencou para apenas 89 mil barris diários no trimestre — o patamar mais baixo de importações registrado desde o período da pandemia de covid-19.
Nas refinarias em terra firme, o ritmo de trabalho também operou perto do limite técnico. O fator de utilização das plantas de refino atingiu a marca de 101,2% de abril a junho. Essa atividade intensa nas instalações de processamento serviu como um colchão de segurança contra as turbulências geopolíticas externas.
Com o cenário de hostilidades no Oriente Médio provocando oscilações constantes nas cotações globais da commodity, a estratégia de manter as refinarias operando em capacidade máxima garantiu o abastecimento regular de combustíveis e derivados no território nacional, atenuando os impactos da volatilidade internacional sobre os consumidores locais.
Equilíbrio no mercado doméstico
No consumo interno, a demanda final desenhou um cenário de estabilidade quando comparada ao primeiro trimestre de 2026. Embora alguns derivados tenham apresentado retração nas vendas, o recuo foi neutralizado pelo avanço consistente na comercialização de óleo diesel e de gás liquefeito de petróleo (GLP), o tradicional gás de cozinha. Essa compensação garantiu que os volumes entregues ao mercado brasileiro seguissem em patamar robusto e sem sobressaltos.
