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Internacional

Ebola na República Democrática do Congo supera recorde histórico de mortes

Última atualização: 17 de Agosto, 2026 8:44
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
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A velocidade com que o vírus se espalha desafia as autoridades sanitárias. Em menos de três meses desde o anúncio oficial da epidemia, em 15 de maio, a República Democrática do Congo registrou 2.325 mortes por ebola. Os dados oficiais divulgados no domingo (16) confirmam que o atual surto — o 17º da história do país — superou a marca de 2.299 óbitos acumulada entre 2018 e 2020, tornando-se a crise mais letal já enfrentada pela nação.

O volume de infecções acompanha o ritmo das perdas humanas. O Instituto de Saúde Pública do Congo identificou 4.945 casos confirmados, após a detecção de 101 novos infectados em um único intervalo de 24 horas. O surto atual, que já vinha batendo recordes de incidência desde julho, agora fica atrás apenas da devastadora crise que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, quando Guiné, Libéria e Serra Leoa registraram 28.616 casos e 11.310 óbitos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

A curva de aceleração epidemiológica, porém, é o que mais preocupa. Na tragédia de meados da década passada, foram necessários quase cinco meses para que a contagem de mortes atingisse o primeiro milhar. Desta vez, o país ultrapassou a barreira das 2 mil mortes em menos de 90 dias.

Desafios no diagnóstico e falta de imunizantes

O combate à doença esbarra na biologia do próprio vírus e na infraestrutura local. A epidemia atual é provocada pela variante Bundibugyo, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos homologados. Além do vazio terapêutico, as equipes de socorro enfrentam sistemas de saúde fragilizados, desconfiança de comunidades locais e focos de instabilidade política e social, fatores que dificultam as tentativas de rastreamento.

Esse cenário explica o salto na taxa de letalidade, que subiu de 20% no início de junho para 46%. Na prática, quase metade dos infectados não sobrevive. No entanto, o fenômeno não indica que o patógeno tenha sofrido mutação para se tornar mais agressivo, mas sim que o sistema de monitoramento está falhando.

Thomas Parisch, especialista em saúde pública que atuou em solo congolês pela organização Médicos Sem Fronteiras, explica que a evolução natural de um surto deveria apresentar queda na letalidade à medida que o rastreio melhora. Mas, no Congo, o diagnóstico tem chegado tarde demais, com muitos pacientes identificados apenas após a morte na própria comunidade. Atualmente, remédios experimentais e vacinas passam por testes em animais, enquanto cientistas tentam descobrir se tratamentos antigos surtem efeito contra a nova variante.

O vírus, transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de doentes ou mortos, provoca febre, vômitos, diarreia e hemorragias graves. No mês passado, a vizinha Uganda conseguiu conter uma ramificação do surto, limitando a contaminação a 20 casos e duas mortes antes de declarar o fim do estado de alerta.

MARCADOCongocrise sanitáriaEbolaEpidemiaSaúde Pública
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