São Paulo (SP) – Aos 39 anos, Pablo Henrique Marçal busca agora o comando do Poder Executivo federal. Natural de Goiânia, o advogado formado pela Universidade Paulista (Unip) e influenciador digital oficializou sua entrada na corrida presidencial sob a legenda do Partido Renovador Trabalhista Nacional (PRTB). A chapa é composta pelo seu correligionário Leonardo Avalanche, que assume a posição de vice.
A trajetória de Marçal é marcada por uma mistura de exposição intensa na internet e controvérsias públicas. Sua projeção nacional ganhou tração através de treinamentos de desenvolvimento pessoal disseminados nas redes sociais, mas não sem episódios polêmicos. Em janeiro de 2022, o nome do candidato figurou nos noticiários após liderar uma expedição no Pico dos Marins, em São Paulo. O grupo de 32 pessoas, sob sua condução, precisou ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros em uma operação de resgate após ficarem impossibilitados de descer a montanha.
Este não é o primeiro movimento de Marçal no xadrez eleitoral. Em 2022, ele ensaiou uma candidatura à Presidência e, no mesmo pleito, tentou uma vaga como deputado federal por São Paulo. Mais recentemente, em 2024, ele disputou a prefeitura da capital paulista, enfrentando duras sanções judiciais. O candidato chegou a ser condenado a oito anos de inelegibilidade, sob a acusação de abuso de poder político e econômico, além do uso indevido dos meios de comunicação. No cenário atual, a viabilidade de sua candidatura repousa sobre uma liminar, que suspendeu temporariamente os efeitos de tal decisão.
O suporte partidário vem do PRTB, agremiação fundada em 1994 e registrada oficialmente em 1997. Identificada com o espectro da extrema-direita, a sigla sustenta uma plataforma baseada na liberdade econômica, enquanto adota uma postura conservadora nas pautas de comportamento e costumes. O programa do partido prega o que denomina de trabalho participativo, propondo uma dinâmica onde o capital e o trabalhador coexistam sem que ocorra, segundo seus defensores, a exploração laboral.
A aposta do PRTB reflete a busca por um perfil que dialogue diretamente com a base digital, embora o histórico jurídico de Marçal prometa ser um dos eixos de tensão ao longo desta campanha. O desfecho dessa disputa dependerá agora da estabilidade do recurso que garantiu seu nome na urna, em um pleito que se desenha repleto de questionamentos sobre a elegibilidade e os métodos do candidato.
