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Canetas emagrecedoras usadas por crianças sem receita põem crescimento e saúde mental em risco
Saúde

Canetas emagrecedoras usadas por crianças sem receita põem crescimento e saúde mental em risco

Última atualização: 24 de Agosto, 2026 8:23
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Receita Federal/divulgação
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A obsessão pelo corpo ideal, amplificada pelas redes sociais, acabou por levar um problema tipicamente adulto para os consultórios pediátricos. Menores de idade estão utilizando medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 — as famosas “canetas emagrecedoras” — sem qualquer critério ou acompanhamento médico. O cenário motivou um alerta urgente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que aponta prejuízos graves que vão do atraso no crescimento a danos em órgãos vitais.

O uso inadequado e sem indicação clínica dessas substâncias pode desencadear uma série de disfunções no organismo em desenvolvimento. Os pediatras advertem que, sem a devida supervisão, os jovens correm o risco de sofrer com desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda severa de massa muscular e até déficit de crescimento. Complicações mais graves, como pancreatite aguda e problemas na vesícula biliar, também entram na lista de efeitos colaterais possíveis.

O impacto, contudo, não se restringe à saúde física. A busca obsessiva pela perda de peso rápida na infância e adolescência costuma funcionar como gatilho para transtornos psiquiátricos severos. Anorexia, bulimia, quadros graves de ansiedade e depressão associados à distorção da imagem corporal são consequências frequentes do uso puramente estético desses fármacos.

A necessidade de tratar a obesidade como doença

Para os especialistas, o cerne do problema atual não está na eficácia da medicação em si — que tem segurança comprovada quando aplicada corretamente —, mas sim na sua banalização. Por isso, a SBP condena veementemente o uso de fórmulas clandestinas, manipuladas ou importadas sem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Medicamentos dessa categoria exigem diagnósticos precisos, como obesidade infantil ou diabetes tipo 2, e sua prescrição nunca deve ser automática.

A entidade também propõe uma mudança imediata na forma de falar sobre o assunto. A recomendação é abandonar o termo “canetas emagrecedoras” e adotar “medicamentos para o tratamento da obesidade”. Essa transição linguística busca desmistificar o uso estético e reforçar que a obesidade é uma condição crônica. Trata-se de saúde e bem-estar, não de alcançar silhuetas padronizadas para a internet.

Efeitos colaterais e restrições de uso

Mesmo sob acompanhamento, o tratamento exige cautela devido a reações adversas comuns durante o ajuste de dosagem. Os sintomas mais recorrentes são gastrointestinais, incluindo náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e prisão de ventre. Em casos mais complexos, há risco de hipoglicemia e colelitíase.

Por fim, as diretrizes médicas impõem limites rígidos. Os medicamentos são totalmente contraindicados para gestantes, lactantes, pessoas com alergia aos componentes da fórmula e pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Casos de pancreatite prévia exigem análise médica criteriosa antes de qualquer indicação.

MARCADOcanetas emagrecedorasObesidade infantilPediatriasaúde infantilSaúde mental
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