As discussões para as eleições estaduais de 2026 ganham um novo componente de cobrança programática. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) quer colocar a pesquisa e a tecnologia no centro dos debates locais. Por meio do Observatório das Eleições 2026, a entidade está convocando os candidatos que disputarão os governos estaduais a assumirem compromissos claros com a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). A iniciativa visa transformar o potencial científico das unidades federativas em motor de desenvolvimento socioeconômico.
A presidente da instituição, Francilene Garcia, resume o espírito da mobilização com uma pergunta direta aos futuros gestores: qual será o espaço reservado para a produção de conhecimento nos planos de governo? Ela lembra que a infraestrutura básica já existe. Os estados contam com uma rede consolidada de universidades, institutos de pesquisa, cientistas e jovens pesquisadores qualificados. O gargalo está na capacidade do poder público de articular esse ecossistema para gerar soluções reais e melhorar a vida da população.
Para dar estofo técnico ao debate, a entidade lançou o documento Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos. Trata-se de uma compilação de 117 propostas elaboradas pela própria comunidade científica. As sugestões estão organizadas em sete grandes frentes temáticas: Ciência, Tecnologia e Inovação como Projeto de Nação; Soberania Nacional; Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; Democracia e Segurança Pública; Equidade, Diversidade e Justiça Social; Educação, Formação e Universidade; e Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.
A estratégia do Observatório funciona em duas frentes. De um lado, candidatos a cargos legislativos e executivos — incluindo deputados estaduais, federais, senadores, governadores e à presidência — são conclamados a assinar o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional. Do outro, o eleitorado ganha uma ferramenta de controle social: os nomes daqueles que aderirem ao pacto serão divulgados publicamente, divididos por cargo e estado, permitindo que a sociedade cobre posicionamentos durante a campanha.
Compromissos práticos em jogo
Não se trata apenas de uma declaração de intenções genérica. Quem assina o termo se compromete, por exemplo, a blindar o orçamento científico, garantindo verbas públicas estáveis e de longo prazo. Os signatários também devem se pautar em evidências técnicas para a tomada de decisões, respeitar a autonomia de universidades e centros públicos de pesquisa e defender ativamente os preceitos da Constituição de 1988. Até o momento, mais de 60 postulantes de diversos partidos e espectros políticos já assinaram o documento, formalizando o vínculo com as propostas da comunidade científica.
