Barretos (SP) – O Hospital de Amor, referência latino-americana em oncologia gratuita, acaba de ampliar sua capacidade operacional em Barretos, no interior paulista, com a entrega do Diretório de Reabilitação Moderna, o DREAM. O espaço, que abrange quase 8 mil metros quadrados, foi projetado para integrar terapias, suporte cirúrgico e internação, focando em pacientes que sobrevivem ao câncer mas carregam sequelas limitantes — sejam elas motoras, sensoriais ou cognitivas.
A estrutura recebeu, no último sábado (5), a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O projeto, viabilizado com recursos da Fundação Banco do Brasil, oferece 18 leitos de internação, dois deles voltados a cuidados semi-intensivos, mantendo assistência permanente durante as 24 horas do dia.
Para além dos pacientes oncológicos, o centro acolhe pessoas com deficiências físicas, intelectuais ou sensoriais, independentemente da origem do quadro, seja ela congênita ou crônica. Henrique Prata, diretor da instituição, defende que a qualidade das novas instalações supera o padrão encontrado no setor privado brasileiro, destacando a sinergia entre o apoio governamental e a participação direta da sociedade civil.
O ministro Alexandre Padilha pontuou que a criação do DREAM responde a uma demanda latente: garantir a integralidade do tratamento. Frequentemente, a superação da neoplasia deixava lacunas funcionais — em aspectos como deglutição, fala ou mobilidade — que agora encontram suporte especializado no próprio complexo.
O centro cirúrgico do DREAM é equipado para intervenções de média e alta complexidade nas áreas de ortopedia, neurocirurgia e oftalmologia. A lista de recursos tecnológicos inclui câmara de oxigenoterapia hiperbárica para o tratamento de lesões complexas, além de dispositivos avançados como o Lokomat, um exoesqueleto robótico para treinamento de marcha, e o sistema NIRVANA, que utiliza tecnologia imersiva para estimulação sensorial e motora.
A reabilitação no local é pensada de forma prática. O complexo dispõe de uma casa adaptada para o treino de atividades cotidianas e um centro hípico para equoterapia, além de uma oficina ortopédica interna. Essas ferramentas são fundamentais para que o paciente retome a autonomia, utilizando desde gamificação até ginásios poliesportivos.
Instituição privada sem fins lucrativos, o hospital mantém sua essência filantrópica desde a inauguração em 1962, pelos médicos Paulo e Scylla Duarte Prata. O modelo de gestão, que sustenta o atendimento 100% gratuito pelo SUS, foi citado por Lula como uma referência singular. Com a nova ala, a instituição reafirma o compromisso em não apenas tratar o tumor, mas assegurar que o paciente recupere a funcionalidade e a qualidade de vida após a alta hospitalar.
