Brasília (DF) – Um amplo grupo de 59 organizações científicas brasileiras uniu forças nesta quarta-feira (9) para cobrar clareza e imparcialidade diante da crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento, capitaneado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), ecoa um temor comum: a deterioração das instituições centrais da República.
As entidades não fazem rodeios. Rejeitam veementemente qualquer tentativa de blindar autoridades contra eventuais desvios de conduta, deixando claro que o respeito às instituições jamais deve ser confundido com a impunidade de seus membros. Segundo o grupo, nenhum ocupante de cargo público está acima da lei ou livre do escrutínio dos brasileiros.
O texto estabelece que o caminho para o fim das tensões passa longe da guerra de versões que domina o noticiário. Em vez disso, pedem fatos, provas concretas e procedimentos processuais sólidos. Existe, inclusive, um alerta contra a divulgação seletiva de informações em curso, prática que, na avaliação das signatárias, transfere indevidamente ao tribunal da opinião pública decisões que deveriam ser tomadas nos ritos formais de investigação.
Para as entidades, a instabilidade atual oferece um solo fértil para a desinformação e ataques frontais à democracia. O risco é claro: enquanto o embate político toma o centro das atenções, discussões fundamentais para o desenvolvimento do Brasil ficam em segundo plano.
A presidenta da SBPC, Francilene Garcia, reforçou que o manifesto não defende pessoas ou lados políticos. A preocupação é com a integridade do Estado e a qualidade do debate público, que, segundo ela, foi sequestrado por uma crise que impede o país de focar em seus reais desafios. Segundo a nota, a confiança pública só será restaurada através da transparência e da preservação da autonomia técnica dos órgãos de controle, sem que estes sejam instrumentalizados para satisfazer interesses pessoais ou eleitorais.
Assinam o documento, entre outras, a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), a Sociedade Brasileira de Física (SBF), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). A lista completa reflete um espectro amplo de áreas que vão das exatas e biológicas até as ciências humanas, unidas sob a premissa de que a fragilização institucional ameaça, em última análise, a vida republicana de cada cidadão.
