São Luís (MA) – O paradeiro de Ágatha Isabelle, de 4 anos, e seu irmão Alan Michel, de 6, tornou-se o foco de uma nova frente de investigação. A Polícia Federal confirmou que vai solicitar a inclusão dos dois irmãos, integrantes da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na Difusão Amarela da Interpol. A medida, formalizada pela mãe das crianças na última quarta-feira (9), na sede da corporação em São Luís, é uma tentativa de internacionalizar a procura iniciada há nove meses.
A Difusão Amarela funciona como um canal de cooperação global para localizar pessoas desaparecidas. A partir do envio do pedido, a decisão sobre a divulgação do alerta em países membros passa a ser da organização internacional. Segundo Nathaly Moraes, advogada que representa a família, o encontro com o Núcleo de Cooperação Internacional serviu para alinhar como essas ferramentas de busca e, se necessário, de repatriação, podem ser empregadas com eficácia.
O interesse das autoridades brasileiras foi reforçado após uma grande operação na Flórida, nos Estados Unidos, que resgatou 163 menores de idade entre 2 meses e 17 anos no final de agosto. Diante do impacto da notícia, a defesa da família acionou o consulado brasileiro em Miami. O objetivo é checar se os irmãos maranhenses fazem parte do grupo de crianças resgatadas que ainda permanecem sem identificação oficial.
A tarefa de reconhecimento, no entanto, enfrenta entraves severos. Muitas das crianças socorridas nos Estados Unidos apresentam quadros de trauma psicológico profundo e não conseguem se comunicar, o que impede a identificação imediata de suas nacionalidades. Representantes diplomáticos brasileiros seguem acompanhando o caso in loco para descartar ou confirmar qualquer ligação com o desaparecimento ocorrido no interior do Maranhão.
Ágatha e Alan foram vistos pela última vez no dia 4 de janeiro deste ano. O caso aconteceu no Quilombo São Sebastião dos Pretos, localizado a cerca de 20 quilômetros da cidade de Bacabal. Desde então, uma força-tarefa composta por diferentes setores da segurança pública vasculhou uma ampla área de mata fechada e o curso do Rio Mearim.
Apesar do uso de cães farejadores, embarcações e tecnologia de detecção, os meses de buscas não revelaram vestígios do paradeiro da dupla. Enquanto a investigação local segue seu curso, a diplomacia brasileira, por meio do Itamaraty, reforça que os protocolos de cooperação policial são geridos diretamente pelo Ministério da Justiça, mantendo o trâmite estritamente sob as regras de auxílio internacional.
