O prazo para requisitar auxílio no deslocamento até as seções eleitorais termina nesta segunda-feira (14). A medida é parte do programa Seu Voto Importa, instituído pela Resolução 23.753/2026 do TSE, que desenhou diretrizes para os TREs oferecerem suporte a eleitores com deficiência ou restrições severas de mobilidade. O mapeamento realizado pelo data8 aponta que o programa já abrange 300 cidades paulistas e 358 mineiras, mas a capilaridade da iniciativa ainda esbarra em gargalos operacionais e comunicacionais.
Embora a norma enquadre formalmente o idoso com limitações físicas na categoria de mobilidade reduzida, a linguagem empregada nos editais e chamadas públicas cria um hiato. Muitos eleitores na faixa dos 75 ou 80 anos simplesmente não se reconhecem sob essa terminologia técnica. Para o sistema eleitoral, a falha de comunicação é crítica, já que o voto deixa de ser obrigatório após os 70 anos. Sem o dever constitucional, o esforço de buscar o cartório para agendar um transporte depende diretamente de uma percepção de valor que, hoje, parece diluída.
A análise de dados indica que, entre os 25 milhões de brasileiros que se abstiveram nas urnas em 2022, 8 milhões tinham 70 anos ou mais — um índice de abstenção que chega a 60% dentro desse recorte demográfico. Atualmente, o país contabiliza 16 milhões de cidadãos nessa faixa etária, o que representa 10,6% do eleitorado apto. Para os gestores, o desafio não é apenas logístico, mas de pertencimento.
A logística de transporte, quando solicitada e aprovada, contempla o trajeto de ida e volta, podendo incluir acompanhante se o exercício do voto exigir. A confirmação do serviço é feita pelo tribunal com antecedência de até 48 horas, desde que as condições orçamentárias e financeiras permitam. A prioridade, por regra, recai sobre situações de vulnerabilidade extrema.
Integrada ao Movimento Voto 70+, a fundadora do data8, Cléa Klouri, ressalta que o avanço institucional de reconhecer essas barreiras precisa ser acompanhado de um combate ao sentimento de invisibilidade. A campanha de incentivo busca reverter a ideia de que o voto perde o peso com o passar dos anos. O diagnóstico é claro: remover o obstáculo físico é um passo necessário, mas insuficiente enquanto o eleitor sênior não se sentir devidamente convocado a participar das decisões nacionais, carregando consigo a experiência de décadas de vida cívica. O tempo para viabilizar esse suporte logístico, contudo, é curto e se esgota nas próximas horas.
