Brasília (DF) – A ofensiva contra o mercado de apostas online ganhou contornos mais rígidos nos últimos dias. Uma força-tarefa composta pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério da Fazenda retirou do ar 506 páginas eletrônicas suspeitas de oferecer jogos de azar sem a devida autorização legal. O bloqueio ocorreu logo após a publicação da medida provisória (MP) que impõe restrições severas ao setor no Brasil.
O foco atual das autoridades não se limita aos domínios já ativos. O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao MJSP, mantém sob vigilância constante uma teia de 43 canais e grupos no Telegram. Somados, esses espaços reúnem 212,6 mil usuários, servindo como porta de entrada para promessas de lucros mensais de até 260% e o uso de supostos robôs com taxas de acerto próximas de 99,8%.
A publicidade desses serviços encontrou abrigo em gigantes da tecnologia. No Google, o Ciberlab contabilizou 1,9 mil anúncios ativos. A dificuldade técnica de distinguir quais dessas peças publicitárias já estavam no ar antes da proibição e quais foram criadas após o dia 25 de outubro — data de edição da MP — impõe um desafio extra aos investigadores. O texto normativo estabelece um prazo de dez dias para a remoção total dos conteúdos que antecedem a regra, enquanto veta terminantemente qualquer nova investida de marketing.
A situação na Meta também acendeu alertas. Foram identificados sete anúncios, dos quais dois surgiram após o fechamento da norma. O relatório técnico chama atenção para uma prática comum: a utilização de nomes de páginas e links de domínios que não correspondem às marcas anunciadas. Para os peritos, o mascaramento revela uma estratégia deliberada para ocultar a origem do tráfego e o anunciante real por trás das plataformas.
A busca por novos caminhos
O governo busca frear uma migração já observada. Dados da plataforma Bet Legal, gerida pela consultoria Iron Security, indicam o surgimento de 440 novos sites de apostas sem registro nacional apenas no período recente. O monitoramento dessa movimentação começou em 1º de setembro, revelando que a proliferação de endereços irregulares já era uma tendência consolidada dias antes da intervenção governamental.
A estratégia central dos ministérios agora é impedir que o mercado ilegal encontre rotas alternativas. Com o cerco aos domínios principais, a preocupação recai sobre aplicativos, grupos fechados e plataformas hospedadas em servidores estrangeiros, que operam à margem da fiscalização brasileira. As evidências colhidas pelo Ciberlab, incluindo promessas de bônus como R$ 888,00 para quem convidasse amigos, foram encaminhadas aos órgãos competentes da Fazenda. O objetivo é viabilizar medidas administrativas contra as empresas que insistem em desafiar o novo marco regulatório.
