Brasília (DF) – O volume de recursos financeiros apreendidos pela Polícia Federal em investigações de crimes eleitorais atingiu a marca de R$ 30 milhões no decorrer de 2026. O dado foi compartilhado neste domingo (4) pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, que detalhou a dimensão das ações em uma entrevista coletiva. Somando o valor em espécie com outros bens retidos, o montante alcança R$ 45 milhões.
O esforço operacional reflete um ano de vigilância intensa: 1.292 inquéritos foram instaurados e 62 operações específicas foram deflagradas para conter irregularidades. Atualmente, o contingente de investigações ativas ultrapassa a casa dos 2.200 procedimentos em todo o território nacional.
Apenas no dia da votação, a movimentação policial resultou na detenção de 28 pessoas espalhadas por sete estados e no Distrito Federal. Um dos episódios mais expressivos ocorreu em Roraima, onde agentes apreenderam mais de R$ 300 mil em dinheiro vivo. Apesar dessas ocorrências, o comando da PF garantiu que as ações preventivas e repressivas não comprometeram a fluidez do processo de votação ou a segurança dos eleitores nas seções.
Um ponto central do monitoramento deste ano envolve a violência política de gênero. O balanço indica que 97 inquéritos foram abertos para apurar infrações dessa natureza, refletindo uma atuação coordenada da corporação na proteção dos direitos políticos. Ao comentar os resultados, Andrei Rodrigues reforçou o papel da Polícia Judiciária da União e da Polícia Judiciária Eleitoral na sustentação da democracia. O trabalho, segundo ele, é fruto de uma rede de cooperação que envolve o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Penal Federal e as corporações estaduais.
A relevância do modelo brasileiro de fiscalização atraiu, inclusive, o interesse internacional. Como parte de um acordo de cooperação formalizado entre as instituições, policiais de Angola acompanham o desenrolar das eleições no Brasil. A presença desses observadores estrangeiros tem como propósito central o intercâmbio de experiências e o estudo das práticas adotadas pela PF, visando contribuir para o aprimoramento dos sistemas eleitorais no país africano.
O diretor-geral sustentou que a integração entre as forças de segurança tem sido o diferencial para manter a ordem em um cenário de alta complexidade. A continuidade das investigações após o fechamento das urnas deve definir os próximos passos para o aprofundamento das apurações em curso.
