Buenos Aires, Argentina – O Monumental de Nuñez testemunhou na noite de terça-feira (6) o capítulo final de uma história de 21 anos. Diante de um estádio pulsante em Buenos Aires, o placar de 3 a 0 sobre Benin acabou virando mero detalhe. O que importava era a última oportunidade de ver Lionel Andrés Messi vestir a camisa alviceleste.
A comoção começou bem antes do apito inicial, agendado para as 20h (de Brasília), mas postergado por trinta minutos. Câmeras flagraram o capitão chorando ainda no ônibus rumo ao estádio. No gramado, o técnico Lionel Scaloni também não conteve as lágrimas durante o aquecimento e a execução do hino nacional, evidenciando o peso dramático do momento.
Em campo, o primeiro tempo testou a paciência do público. Diante de um adversário situado 91 posições abaixo no ranking da Fifa, os argentinos esbarraram na falta de ritmo. O Benin chegou a assustar aos 18 minutos, quando Junior Olaitan quase aproveitou cruzamento de Rodolfo Aloko, finalizando para fora diante de Dibu Martínez. Messi tentou furar o bloqueio, mas parou duas vezes no goleiro Marcel Dandjinou e mandou outras duas bolas para fora.
A porteira abriu logo após o intervalo. Aos dois minutos da segunda etapa, Messi cobrou escanteio preciso para o zagueiro Nicolás Otamendi — que também fazia sua despedida da seleção — marcar de primeira. Foi a 69ª assistência do camisa 10. Pouco depois, aos dez, veio a transição de eras: Messi serviu Nico Paz, meia de 22 anos apontado como seu sucessor, que bateu cruzado para fazer o segundo.
O ápice da festa estava guardado para os 22 minutos. Após falta dura de Taminou Ouorou no palmeirense Agustín Giay dentro da área, o árbitro chileno Fernando Véjar marcou pênalti. Messi cobrou com categoria no ângulo esquerdo de Dandjinou. Nos minutos finais, o astro ainda desperdiçou uma chance cara a cara após passe de Nico González e viu o goleiro Saturnin Allagbé espalmar outra finalização sua na trave.
Ao soar do apito final, aos 49 minutos, consolidou-se um legado monumental. Messi deixa a seleção com 208 partidas, 126 gols e 70 assistências. Na bagagem, as taças das Copas América de 2021 e 2024, a Finalíssima, a Copa do Mundo de 2022, além do Mundial sub-20 de 2005 e do ouro olímpico em Pequim, no ano de 2008.
