O cenário da saúde cardiovascular entre jovens brasileiros é preocupante. Dados recentes apontam que 28,3% das crianças e adolescentes com até 18 anos já enfrentam quadros de hipertensão. O índice de pré-hipertensão, por sua vez, atinge 11,6% dessa população. O diagnóstico é mais recorrente em dois perfis específicos: meninos com menos de 7 anos, que somam 39,1% dos casos, e adolescentes do sexo masculino entre 15 e 18 anos, grupo que lidera a incidência com 40,7%.
O levantamento, batizado de Brasil Coração Saudável, estruturou suas análises entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026. Ao longo desse período, foram avaliados 6.092 estudantes matriculados em 38 instituições de ensino distribuídas por Minas Gerais, com 2.973 participantes; Rio Grande do Sul, com 3.059; e São Paulo, onde foram incluídos 60 alunos.
O cardiologista Álvaro Avezum, que coordena a iniciativa, aponta uma intersecção de fatores negativos na rotina desse público. A combinação entre a redução de exercícios físicos, escolhas alimentares pouco saudáveis e níveis elevados de estresse cria o ambiente propício para o desenvolvimento da obesidade e da hipertensão arterial sistêmica. O impacto dessa tríade na saúde do coração é cumulativo, gerando riscos precoces que preocupam a classe médica.
Os números refletem uma realidade onde uma em cada três crianças ou adolescentes apresenta excesso de peso. Desse total, 19,5% estão na faixa de sobrepeso, enquanto 13,6% já se encontram na condição de obesidade. A distribuição por gênero e idade traz contornos específicos: o sobrepeso é mais prevalente em meninas de 11 a 14 anos, alcançando 24%. Já a obesidade é mais comum entre meninos de 7 a 10 anos, atingindo 17,1% deles.
Existe uma correlação direta e perigosa entre a balança e a pressão arterial. Entre os jovens que já apresentam obesidade, quase metade — 48,4% — também é hipertensa. Essa proporção cresce conforme a idade avança, chegando a 60,5% no grupo de obesos entre 15 e 18 anos.
A rotina digital também desempenha um papel central nesse diagnóstico. O estudo revelou que 59% dos participantes passam mais de três horas diárias diante de telas, sendo o celular a ferramenta mais utilizada, por 86% dos jovens, seguido pela televisão, com 80%. O movimento físico é escasso: 66% dos pesquisados dedicam apenas uma a duas horas por semana a alguma atividade. Para 93% desses estudantes, o ambiente escolar representa o único espaço onde a prática de exercícios ocorre.
