Paris, França – O Palácio do Eliseu endureceu o discurso nesta quinta-feira (22). Após uma reunião estratégica com ministros e chefes dos serviços de inteligência, o presidente Emmanuel Macron determinou a proibição, nos próximos dias, de qualquer protesto classificado pelo governo como ilegítimo. O movimento é uma tentativa direta de estancar a desordem urbana que culminou em uma série de saques e vandalismo no último sábado (17).
Macron dedicou pouco mais de três minutos para expor sua visão sobre os eventos recentes. O mandatário focou o ataque em grupos de ultraesquerda, aos quais atribuiu periculosidade extrema e planos de desestabilizar as instituições francesas. Segundo a leitura oficial, esses indivíduos teriam orquestrado a onda de furtos e danos que atingiu cerca de 3 mil estabelecimentos comerciais pelo país no final de semana passado.
Para as mobilizações legítimas, como aquelas organizadas por sindicatos, a estratégia será o redirecionamento. O governo planeja impor trajetos alternativos para evitar que as manifestações se aproximem de áreas comerciais sensíveis. O presidente foi enfático ao declarar que a autoridade estatal não pode vacilar diante de atos que chamou de sediciosos. A palavra de ordem agora no gabinete em Paris é firmeza.
O clima de tensão é crescente com a proximidade de um novo fim de semana. A menos de 48 horas de novos atos convocados, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu subiu o tom contra opositores. Ele exigiu que os partidos políticos escolham um lado entre a violência e a República, direcionando o foco das críticas ao movimento A França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon. O governo prometeu transparência total sobre as falhas operacionais registradas durante os distúrbios anteriores.
A preocupação do setor comercial é palpável. Pierre Bosche, presidente da Confederação dos Comerciantes da França, resumiu o sentimento do setor como uma preocupação máxima frente aos danos causados no último sábado. A resposta do Estado será militarizada: o planejamento para os próximos dias inclui o uso de veículos blindados e o destacamento de unidades de elite para as ruas.
As medidas de controle já refletem no cotidiano das cidades. Na noite de quarta-feira (21), o recolher obrigatório foi reativado em diversos municípios, resultando na detenção de pelo menos 174 pessoas. O Executivo francês tenta, com esse conjunto de ações, retomar o controle das ruas antes que o cenário de instabilidade se consolide ainda mais.
