São Paulo (SP) – Após assegurar a reeleição com 51,79% dos votos válidos, totalizando 64,2 milhões de eleitores, Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que seu próximo governo será marcado por uma transformação na forma de conduzir o país. Em pronunciamento feito em São Paulo, o presidente eleito reforçou a necessidade de uma gestão mais participativa e com foco acentuado na comunicação direta com a sociedade.
Uma das promessas centrais do novo ciclo reside na esfera da economia digital. Lula pretende utilizar a matriz energética brasileira — reconhecida pelo alto potencial de renováveis — para atrair o desenvolvimento de datacenters no país. O objetivo estratégico é garantir que o processamento de informações nacionais ocorra em território brasileiro. Em sintonia com essa ambição, o governo planeja fomentar a criação de uma inteligência artificial própria, incentivando o ensino de engenharia e matemática para reduzir a dependência tecnológica em relação aos modelos chinês e norte-americano.
A relação com as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, também deve sofrer alterações drásticas. O presidente criticou o impacto dessas corporações no pleito eleitoral e a ausência de tributação equivalente aos lucros bilionários obtidos no Brasil. A intenção declarada é implementar uma regulamentação rigorosa, tratando delitos cometidos no ambiente virtual com o mesmo peso jurídico daqueles ocorridos no mundo físico.
Na área da educação, as metas incluem a universalização do ensino integral até o nível médio e o fortalecimento do programa Pé-de-Meia, que passará a contemplar também o público universitário. Paralelamente, a pauta da segurança pública deve ganhar um novo contorno. Sem detalhar o andamento da PEC da Segurança no Senado, o presidente defendeu a federalização da política de combate ao crime. O argumento central é que a Constituição de 1988 descentralizou excessivamente a responsabilidade, deixando os estados sobrecarregados.
No setor da saúde, o foco recai sobre o fortalecimento e a modernização do SUS. Lula reiterou o compromisso de impedir a privatização do sistema e anunciou a construção de um hospital inteligente, em parceria com a USP, além da criação de 15 UTIs inteligentes pelo país. A meta, segundo ele, é posicionar o Brasil como referência mundial no tratamento de oncologia.
Para viabilizar essas mudanças, o presidente enfatizou que o estilo de governo será pautado pela interlocução constante com os brasileiros. Com menção direta ao papel das redes sociais no processo eleitoral, ele afirmou que pretende encurtar a distância entre a Presidência e o cidadão, utilizando os canais digitais para evitar intermediários e garantir que sua visão sobre os rumos do país chegue sem ruídos aos eleitores.
