Banabuiú (CE) – O abastecimento de água em Banabuiú, município de 17 mil habitantes no Sertão Central do Ceará, tornou-se alvo de uma operação policial atípica. Desde a última sexta-feira (30), militares escoltam servidores da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para assegurar que a população consiga comprar garrafões do recurso. A medida foi necessária após criminosos que se identificam como integrantes do Comando Vermelho (CV) imporem o fechamento do comércio local.
Há duas semanas, donos de estabelecimentos na cidade passaram a ser alvos de extorsão. Sob ameaça, o grupo criminoso exigia o pagamento de uma taxa para permitir que a venda de água fosse mantida. O terror imposto pelos faccionados forçou os comerciantes a interromperem as atividades, gerando um desabastecimento imediato em uma região já castigada pelas limitações logísticas.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social detalhou que a logística de entrega está sendo feita diretamente pela Cagece. A companhia retira os garrafões junto aos fornecedores e os leva até o município, garantindo a comercialização sob proteção estatal. No último fim de semana, a Praça da Igreja Matriz virou ponto de distribuição, onde moradores formaram longas filas à espera do suprimento.
A ofensiva policial contra o braço local da organização criminosa começou antes mesmo da crise hídrica se agravar. No dia 22, três suspeitos foram detidos na região. Na ocasião, as equipes apreenderam um revólver calibre .38, munições, aparelhos celulares, um notebook e valores em espécie. A prisão serviu para mapear a hierarquia da facção no Sertão Central.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram que as ordens partiram de fora do estado. O suposto mandante das ameaças foi identificado, mas estaria escondido no Rio de Janeiro. A Secretaria da Segurança Pública confirmou que existe uma cooperação em curso com a Polícia Civil fluminense para localizar e prender o responsável pela desestabilização em Banabuiú.
Apesar da presença ostensiva das forças de segurança, o clima na cidade permanece tenso. A gestão municipal foi procurada para comentar o impacto da interrupção forçada do comércio, mas não forneceu posicionamento até o momento. O reforço no policiamento segue mantido por tempo indeterminado, enquanto as autoridades tentam retomar o controle absoluto sobre o fornecimento de itens básicos no município, localizado a 220 quilômetros de Fortaleza.
