O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou nesta sexta-feira (31) a criação do chamado “consórcio da paz”, anunciado por governadores de seis estados aliados ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), após a megaoperação policial que deixou mais de 120 mortos nos complexos do Alemão e da Penha.
Segundo Boulos, a iniciativa, que reúne Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG), Jorginho Mello (SC), Ratinho Jr (PR), Eduardo Riedel (MS) e Tarcísio de Freitas (SP), não tem como objetivo real a promoção da segurança pública.
“O consórcio que os governadores anunciaram não é um consórcio da paz. É o consórcio do Trump. Querem atiçar intervenção estrangeira”, afirmou o ministro ao blog da jornalista Andréia Sadi.
Boulos, que recentemente assumiu o cargo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi o primeiro integrante do Executivo federal a comentar publicamente a formação do grupo.
O ministro também declarou que, se os governadores realmente quisessem combater o crime organizado, apoiariam a PEC da Segurança Pública, proposta que tramita no Congresso Nacional.
“Se quisessem enfrentar de fato o crime organizado, apoiariam a PEC da Segurança Pública, e não essa demagogia sobre o terrorismo”, completou.
O “consórcio da paz” foi anunciado na sede do governo do Rio de Janeiro na quinta-feira (30) e prevê uma cooperação interestadual em segurança pública, com troca de informações e ações conjuntas. A iniciativa surgiu em meio às críticas e ao debate nacional sobre a condução das operações policiais em comunidades fluminenses.
