O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, figura como produtor executivo no contrato de um longa-metragem sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Documentos e trocas de mensagens revelados nesta sexta-feira (15) pelo Intercept Brasil apontam que o parlamentar detinha autoridade sobre movimentações financeiras relacionadas ao projeto, contrariando afirmações anteriores de que sua participação se limitaria à cessão dos direitos de imagem da família.
Detalhes do contrato de produção
O acordo, formalizado em novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro deste ano, estabelece a empresa norte-americana Go Up Entertainment como responsável pela produção. O documento lista o ex-deputado e o também deputado federal Mario Frias como os nomes à frente da produção executiva do filme, que tem o título provisório de Dark Horse.
Defesa e alegações de investimento
Em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro negou ter recebido recursos de Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master. O parlamentar alegou ter realizado um aporte pessoal de 50 mil dólares para viabilizar o início das filmagens, valor que teria sido ressarcido posteriormente. Eduardo afirmou que não faz mais parte da direção executiva da obra e sustentou que o montante recebido de volta foi apenas a devolução de seu investimento inicial, sem qualquer ganho financeiro ou envolvimento direto com fundos do banqueiro.
Investigações sobre a origem dos recursos
As reportagens do Intercept, publicadas desde a última quarta-feira (13), levantam questionamentos sobre os valores envolvidos na produção. Segundo as apurações, o senador Flávio Bolsonaro teria negociado cerca de 24 milhões de dólares, aproximadamente 134 milhões de reais, com Daniel Vorcaro para o financiamento do longa. Deste total, 61 milhões de reais teriam sido efetivamente transferidos.
Movimentações financeiras e conexões
Parte do capital teria sido enviada pela empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. Esse fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado que já prestou serviços para Eduardo Bolsonaro. Questionado sobre o assunto nesta sexta-feira, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que não precisa prestar esclarecimentos sobre o tema. Até o momento, a reportagem não obteve retorno de Paulo Calixto nem de Mario Frias para comentar as denúncias.
