A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, dia 7, a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo o senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o inquérito enviado ao Supremo Tribunal Federal, o parlamentar teria recebido pagamentos mensais entre 300 mil e 500 mil reais, além de custeio de viagens internacionais, hospedagens de luxo e uso de voos e imóveis privados do banqueiro.
A troca de favores legislativos
As investigações indicam que a contrapartida para as vantagens financeiras seria a atuação do senador em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Um dos focos da apuração é a Emenda número 11, apresentada por Nogueira à Proposta de Emenda à Constituição 65 em agosto de 2024. O texto, apelidado de Emenda Master, pretendia ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de 250 mil para 1 milhão de reais por depositante.
De acordo com os investigadores, a proposta teria sido redigida por assessores do banco e entregue diretamente na residência do senador. Interlocutores relataram à polícia que o próprio Vorcaro teria comemorado o sucesso da articulação, afirmando que o projeto saiu exatamente como planejado e possuía potencial para sextuplicar os negócios da instituição financeira.
Envolvimento familiar e patrimonial
Além dos pagamentos em espécie, a PF identificou uma operação envolvendo a empresa Green Investimentos. A firma teria sido adquirida pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, por 1 milhão de reais, embora a participação societária fosse avaliada em 13 milhões de reais. O ministro do STF, André Mendonça, destacou que os autos reúnem comprovantes bancários, registros de viagens e mensagens que evidenciam um arranjo funcional entre o político e o empresário.
Diante dos indícios, o magistrado proibiu Ciro Nogueira de contatar outros investigados ou testemunhas do caso. Já o irmão do senador foi proibido de sair do país e deverá utilizar tornozeleira eletrônica. A operação também resultou na prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, apontado como o operador financeiro responsável pela transação da Green Investimentos.
Posicionamento da defesa
Em nota oficial, a defesa de Ciro Nogueira refutou qualquer acusação de ilicitude, defendendo que a atuação parlamentar do senador foi pautada pela legalidade. O advogado declarou que o parlamentar está à disposição das autoridades para esclarecer os fatos e criticou a utilização de medidas invasivas baseadas apenas em trocas de mensagens, classificando a ação como precipitada. Até o momento, não houve retorno das defesas de Felipe Cançado Vorcaro e Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.
