A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) inicia neste sábado, dia 9, o monitoramento sistemático da qualidade da água em 173 pontos distribuídos por 32 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. A medida marca a transferência oficial das atividades de vigilância que, até então, eram geridas pela Fundação Renova, entidade criada após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015.
O desastre, que despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de lama e resíduos tóxicos no Rio Doce, resultou na morte de 19 pessoas e gerou uma longa jornada de reparação. Com a extinção da Fundação Renova em outubro de 2024, após um acordo entre o governo federal e as mineradoras Samarco, Vale e BHP, a Funasa assumiu a responsabilidade pela continuidade da análise hídrica por meio da iniciativa Funasa Presente no Rio Doce.
Operação técnica e logística
O projeto foi viabilizado por um Acordo de Cooperação Técnica firmado com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). Segundo o presidente da Funasa, Alexandre Motta, a prioridade da ação é assegurar a continuidade do acompanhamento na bacia e ampliar o volume de dados disponíveis para subsidiar políticas de proteção à saúde das populações impactadas.
A operação em campo contará com 15 profissionais e três unidades móveis especializadas no controle da qualidade da água. O grupo foi organizado em três rotas, sendo duas em Minas Gerais e uma no Espírito Santo. Essas unidades funcionarão como laboratórios volantes, permitindo que as equipes realizem o processamento ágil das informações coletadas entre as cidades de Governador Valadares e São Mateus.
Análises e periodicidade
O processo de verificação inclui a chamada análise sentinela, que permite a identificação imediata de riscos à saúde pública. Nas unidades móveis e laboratórios fixos da fundação, serão avaliados parâmetros fundamentais para o consumo humano, como os níveis de cloro, o pH, a turbidez e a presença de microrganismos como coliformes totais e a bactéria Escherichia coli.
A primeira etapa de coletas segue até o dia 16 de maio, estabelecendo um cronograma que passará a ser mensal a partir de então. A expectativa da Funasa é que os primeiros resultados consolidados do monitoramento sejam disponibilizados logo nas semanas iniciais da operação, reforçando o compromisso com a transparência e a segurança sanitária da região afetada pelo desastre ambiental.
