O Ministério da Saúde confirmou que não há circulação no Brasil da cepa Andes do hantavírus, variante identificada recentemente como a responsável por um surto entre passageiros de um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico. Embora a hantavirose ocorra no território nacional, os casos registrados por aqui possuem características distintas e formas de contágio diferentes daquelas observadas na embarcação.
Diferenças na transmissão
O médico sanitarista Cláudio Maierovitch, da Fiocruz Brasília, explica que a cepa Andes, causadora do surto no cruzeiro, possui a particularidade de ser transmitida entre seres humanos, especialmente em espaços fechados. Em contrapartida, as variantes do hantavírus presentes no Brasil dependem exclusivamente do contato com roedores silvestres. A infecção ocorre por meio do contato com resíduos deixados por esses animais em locais como silos, galpões e estábulos.
Cenário epidemiológico atual
Em 2026, o país contabilizou sete casos da doença até o momento. O estado do Paraná notificou duas ocorrências nas cidades de Pérola d’Oeste e Ponta Grossa, enquanto outras onze situações permanecem sob investigação. Em fevereiro, Minas Gerais registrou o falecimento de um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, que teve histórico de exposição a roedores silvestres durante atividades em áreas de lavoura.
Histórico da doença no país
A hantavirose é uma enfermidade endêmica no Brasil desde a sua primeira identificação, em 1993. De lá para cá, o país somou mais de 2.500 casos confirmados, resultando em cerca de 900 óbitos. O Ministério da Saúde ressalta que, somente no ano de 2025, foram notificados 35 casos com 15 mortes, mantendo o monitoramento constante sobre a circulação viral, apesar de descartar a presença da variante com potencial de contágio interpessoal que gerou preocupação internacional nos últimos dias.
