Pacientes em tratamento contra o câncer precisam manter o esquema vacinal atualizado para prevenir infecções virais e bacterianas que representam riscos graves à saúde. Um estudo da American Society of Clinical Oncology reforça que a imunização atua como um escudo protetor para indivíduos que apresentam o sistema imunológico naturalmente fragilizado devido à doença e aos procedimentos terapêuticos.
A janela ideal para a imunização
O momento mais adequado para receber as doses é logo após o diagnóstico, preferencialmente antes de dar início ao tratamento oncológico. O hematologista e pesquisador Márcio Nucci explica que, como as terapias contra o câncer costumam reduzir ainda mais as defesas do organismo, a resposta do corpo à vacina pode ser menos eficiente se aplicada durante o curso do tratamento. Por isso, aproveitar essa janela inicial é uma medida estratégica para garantir maior eficácia.
Cuidados com o tipo de vacina
Nem todos os imunizantes são recomendados para pacientes oncológicos. Vacinas produzidas a partir de vírus vivos atenuados, como as que combatem a febre amarela, a dengue e o sarampo, costumam ser contraindicadas. O médico alerta que, como o paciente está com a imunidade debilitada, o organismo pode não conseguir controlar o agente enfraquecido presente na vacina, correndo o risco de desenvolver a própria doença que o imunizante deveria prevenir.
Imunização inativada e rede de apoio
Por outro lado, as vacinas inativadas são seguras e não apresentam riscos, sendo inclusive recomendadas para proteger contra doenças respiratórias frequentes no dia a dia. Além do cuidado individual, Nucci destaca a importância de vacinar os familiares e pessoas que convivem com o paciente. Essa estratégia cria uma barreira de proteção ao redor do indivíduo, evitando que o vírus chegue até ele, especialmente nos casos em que a resposta vacinal do próprio paciente é limitada.
O cenário da cobertura vacinal no Brasil
Apesar da relevância da imunização, o Brasil enfrenta desafios persistentes na adesão às campanhas de saúde pública. O Anuário Vacina BR 2025, fruto de uma parceria entre órgãos nacionais e a Unicef, revela que entre 2000 e 2023 mais de 80% das cidades brasileiras não alcançaram as metas de cobertura vacinal. De acordo com o doutor Márcio Nucci, a propagação de desinformação e notícias falsas sobre o tema contribui diretamente para esse índice preocupante, dificultando a proteção coletiva necessária para os grupos mais vulneráveis.
