O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, atribuiu o descumprimento da meta de inflação em 2025 à combinação de fatores como câmbio desfavorável, aumento do custo da energia elétrica, economia aquecida e anomalias climáticas.
Em carta aberta publicada nesta quinta-feira (10), encaminhada ao ministro da Fazenda e presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN), Fernando Haddad, o BC explicou os motivos que levaram o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) a ultrapassar o limite superior da meta.
No acumulado de julho de 2024 a junho de 2025, o IPCA registrou alta de 5,35%, acima do teto da meta de 4,5% definida para o ano. Pela nova regra de meta contínua — em vigor desde janeiro — a inflação é considerada fora da meta se permanecer acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, o que aconteceu agora.
Fatores destacados na carta
Segundo o Banco Central, os seguintes fatores pressionaram os preços para cima:
- Atividade econômica forte: crescimento do PIB acima do esperado e mercado de trabalho aquecido, estimulando o consumo e o investimento.
- Dólar mais caro: valorização da moeda americana frente ao real elevou os preços de bens importados e aumentou as expectativas de inflação.
- Condições climáticas adversas: anomalias climáticas afetaram a oferta de alimentos e pioraram o cenário hídrico.
- Energia elétrica: a piora nas reservas hídricas levou a bandeiras tarifárias mais altas, encarecendo a conta de luz.
O BC também apontou altas maiores que as previstas em itens como gasolina, café, vestuário, automóveis e serviços, que contribuíram para a inflação acima do limite.
“As expectativas de inflação se desancoraram, especialmente ao longo do segundo semestre de 2024”, diz a carta.
