Os professores e servidores da educação municipal de São Paulo decidiram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (7), manter a greve iniciada em 28 de abril. A categoria rejeitou a proposta de reajuste salarial apresentada pela prefeitura, argumentando que os valores não compensam as perdas inflacionárias acumuladas.
Divergências sobre o reajuste
Enquanto os profissionais do setor reivindicam uma atualização de 5,4% no piso do magistério e uma valorização salarial de 14,56%, a administração municipal propôs um aumento de 3,51% para todos os servidores. O cálculo da prefeitura baseia-se no Índice de Preços ao Consumidor de São Paulo, o IPC-Fipe, projetado entre abril de 2025 e março de 2026. A medida já passou em primeiro turno na Câmara dos Vereadores, com uma nova votação prevista para a próxima semana.
A gestão de Ricardo Nunes afirma que o impacto financeiro da proposta supera R$ 1 bilhão por ano. Segundo a prefeitura, o reajuste seria aplicado de forma sucessiva, com 2,55% em 2025 e 2% em 2026. O executivo defende que, na prática, o piso inicial para professores de 40 horas semanais chegaria a R$ 5.831,88, valor que estaria 13,7% acima do piso nacional da categoria para o próximo ano.
Críticas sindicais e mobilização
Entidades como o Sinpeem, Sinesp e Sindsep classificaram a proposta como insuficiente e desrespeitosa. O Sindsep destacou que o percentual oferecido fica abaixo da inflação oficial do país, o IPCA, que acumula cerca de 5,5% nos últimos doze meses. Além da questão salarial, os sindicatos denunciam o que chamam de ataques à educação contidos no projeto de lei, incluindo a ampliação da contratação temporária e riscos de privatização da educação infantil.
Diante do impasse, os servidores planejam intensificar o movimento com uma nova assembleia e manifestação marcada para o dia 13 de maio, às 14 horas, em frente à sede da prefeitura.
Funcionamento das escolas
A prefeitura reiterou que mantém uma política de valorização dos servidores desde 2021 e reforçou as regras para o período de paralisação. Com base em uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo proferida em 5 de maio, as unidades escolares devem garantir o funcionamento com, no mínimo, 70% do quadro de professores e funcionários.
O governo municipal informou que as faltas não justificadas serão descontadas conforme a legislação vigente. A Secretaria Municipal de Educação orientou que, caso as escolas não estejam oferecendo atendimento, os responsáveis pelos alunos devem procurar a Diretoria Regional de Educação da respectiva região.
