O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira que o Brasil utilizará as próximas cúpulas do Brics e do G7 para discutir os efeitos econômicos das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, além de promover o país como fornecedor central de minerais críticos. O representante do governo brasileiro destacou que a estratégia visa antecipar cenários de instabilidade internacional para blindar setores vitais, como o agronegócio e a cadeia de combustíveis.
Agenda no Brics
A jornada internacional de Durigan começa nesta quarta-feira, com destino a Moscou para a reunião do Banco do Brics, o Novo Banco de Desenvolvimento. O foco principal do ministro será buscar mecanismos que protejam a economia nacional das flutuações de preços provocadas por conflitos geopolíticos. Durigan enfatizou que, embora os conflitos ocorram distantes do território brasileiro, a repercussão direta no custo de vida da população e nos preços dos combustíveis exige uma postura de cooperação e vigilância entre as nações do bloco.
Durante o encontro em território russo, o governo brasileiro também pretende assegurar a continuidade de investimentos estratégicos financiados pelo banco, incluindo o projeto do primeiro Hospital Inteligente da América Latina, desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo. A iniciativa é vista como um modelo de integração tecnológica internacional e cooperação científica entre os países integrantes do grupo.
Minerais e soberania econômica
Na sequência, o ministro segue para Paris na próxima segunda-feira para participar das reuniões do G7, onde o Brasil comparece como convidado. O debate sobre minerais críticos, como nióbio, grafeno e terras raras, será o carro-chefe da comitiva. A intenção brasileira é ocupar uma posição de destaque no mercado global, reduzindo a dependência mundial da China e oferecendo segurança jurídica aos investidores estrangeiros por meio do novo marco legal aprovado pelo Congresso.
Industrialização local
O ministro reforçou que o modelo de parceria desejado pelo país prioriza a soberania e a geração de valor agregado dentro do território nacional. Durigan explicou que o Brasil quer superar o histórico de exportação de matéria-prima bruta para garantir a industrialização local e a criação de empregos qualificados. A meta é transformar o país em um polo industrial capaz de processar seus próprios recursos, em vez de apenas fornecer insumos para o exterior e importar produtos finais com maior valor agregado.
A estratégia de atração de investimentos também abrange o setor de infraestrutura e tecnologia, mantendo o diálogo iniciado com empresas alemãs durante a Feira de Hanover. O governo busca vincular esses aportes externos ao apoio acadêmico e à transferência de tecnologia, consolidando o Brasil como um parceiro estratégico que equilibra o desenvolvimento econômico com a defesa de seus interesses nacionais.
