O número de jovens matriculados no ensino superior ao redor do mundo saltou de 100 milhões, no ano 2000, para 269 milhões em 2024, conforme revela o novo Relatório Global de Tendências do Ensino Superior da Unesco. O levantamento, que analisou dados de 146 países, mostra uma expansão expressiva do acesso à educação acadêmica no decorrer dos últimos 25 anos.
Desigualdade regional no acesso
Apesar do crescimento global, o documento alerta para disparidades regionais acentuadas. Enquanto a Europa Ocidental e a América do Norte alcançaram uma taxa de 80% de jovens entre 18 e 24 anos no ensino superior, outras áreas enfrentam barreiras severas. Na América Latina e Caribe, o índice chega a 59%, caindo para 37% nos Estados Árabes e 30% no Sul e Oeste da Ásia. Na África subsaariana, a situação é mais crítica, com apenas 9% de jovens matriculados.
Privatização e o caso brasileiro
O relatório aponta que um terço das matrículas globais ocorre em instituições privadas, com maior peso na América Latina e Caribe. O Brasil exemplifica essa tendência de forma acentuada, já que quatro em cada cinco universitários brasileiros estudam em faculdades particulares. Esse cenário reforça a necessidade de novos investimentos públicos para ampliar a gratuidade e democratizar o acesso ao diploma universitário no país.
Avanços e desafios na paridade de gênero
No recorte de gênero, os números trazem resultados positivos, com a marca de 114 mulheres matriculadas para cada 100 homens em 2024. A paridade foi atingida em quase todo o globo, exceto no continente africano. Contudo, o estudo ressalta que a presença feminina ainda é limitada no topo da carreira acadêmica. As mulheres permanecem sub-representadas em programas de doutorado e ocupam apenas cerca de 25% dos cargos de liderança nas instituições de ensino.
Para quem deseja analisar os números detalhados e as metodologias aplicadas, a Unesco disponibilizou a íntegra do relatório em seu portal oficial. Os dados servem como um termômetro para políticas públicas globais que visam reduzir as distâncias entre regiões e promover uma formação acadêmica mais equitativa para as próximas gerações.
