O dólar fechou esta sexta-feira, dia 15, cotado a R$ 5,06, registrando uma alta de 1,63% e atingindo o maior patamar em um mês. O movimento de valorização da moeda americana acompanhou a queda do Ibovespa, que encerrou o pregão na B3 com recuo de 0,61%, aos 177.284 pontos, em um dia marcado pela cautela dos investidores diante de turbulências tanto no cenário externo quanto no doméstico.
Pressão externa e o efeito Japão
A instabilidade internacional foi impulsionada pela perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, em razão da inflação persistente e das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O cenário foi agravado pela disparada dos juros dos títulos públicos japoneses, que atingiram níveis não vistos desde 1999. Esse movimento forçou investidores a desmontarem operações de crédito conhecidas como carry trade, retirando capital de mercados emergentes e fortalecendo o dólar globalmente.
Incertezas no Brasil
No ambiente interno, o mercado financeiro reagiu negativamente a novos desdobramentos políticos envolvendo figuras públicas e o sistema bancário. A repercussão de notícias sobre o senador Flávio Bolsonaro e o Banco Master aumentou a percepção de risco entre os operadores, que buscaram proteção na moeda estrangeira. Enquanto o Ibovespa operou sob pressão durante quase todo o dia, o desempenho foi parcialmente contido pelo comportamento das ações da Petrobras.
Petróleo em alta
Os preços do petróleo dispararam mais de 3% diante da escalada das tensões no Oriente Médio e da falta de avanços diplomáticos sobre o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global da commodity. O barril do tipo Brent fechou negociado a US$ 109,26, enquanto o WTI alcançou US$ 105,42. A alta reflete o temor de que o prolongamento da crise no Golfo Pérsico continue pressionando a inflação global e mantendo a volatilidade elevada nos mercados financeiros.
Apesar do fechamento em alta nesta sexta-feira, o dólar comercial acumula uma desvalorização de 7,70% ao longo de 2026. Mesmo com a instabilidade recente, o mercado segue atento aos próximos capítulos das negociações internacionais e aos movimentos do Federal Reserve, que continuam a ditar o ritmo da liquidez global e o apetite por risco nos países em desenvolvimento.
