Brasília (DF) – O inverno brasileiro começa sob um cenário de anomalia térmica. Se os casacos costumam ser indispensáveis nesta época do ano, junho de 2024 reserva uma surpresa pouco habitual: as temperaturas devem superar a média histórica em praticamente todos os estados. A expectativa é que o calor insista em marcar presença enquanto as chuvas se comportam de maneira desigual, concentrando-se em áreas específicas do território nacional.
No Sudeste, o clima promete ser mais seco. O sul de Minas Gerais e boa parte de São Paulo esperam volumes de chuva abaixo do esperado para o período. Nos demais setores da região, o regime hídrico deve oscilar próximo ao que se observa historicamente. Entretanto, não há refresco no termômetro: todos os estados enfrentarão calor acima da média, com algumas áreas do norte mineiro e do oeste paulista encarando marcas até 1,5 °C acima do habitual.
A situação é distinta no Sul. O Rio Grande do Sul deve concentrar chuvas acima da média em praticamente todo o seu território. A história muda de figura no Paraná e no nordeste de Santa Catarina, onde o céu deve despejar volumes normais ou até escassos. Independentemente da precipitação, o frio terá dificuldade em se instalar; a previsão indica calor de até 1 °C acima da média em toda a região, chegando a picos de 1,5 °C no extremo oeste catarinense e no norte paranaense.
Subindo para o Centro-Oeste, a tendência de aquecimento se repete. Em todos os estados, os registros podem superar a climatologia local em 1 °C. Em pontos estratégicos, como o leste de Goiás, sudoeste e noroeste do Mato Grosso e grande fatia do Mato Grosso do Sul, a elevação deve atingir os mesmos 1,5 °C, intensificando a sensação de ar abafado fora de hora.
O Norte do país exibe um mapa de chuvas bastante segmentado. O Amapá, boa parte do Pará, o centro-sul de Roraima e as porções centro-leste e sudoeste do Amazonas deverão receber precipitações acima do volume padrão. Em contrapartida, o restante de Roraima e o extremo noroeste paraense amargam um cenário mais seco. Quanto às temperaturas, a regra geral aponta uma alta de 1 °C, com exceção de faixas como o centro-norte de Rondônia e o centro-sul roraimense, que devem registrar números dentro da normalidade.
Por fim, o Nordeste enfrenta um junho marcado por chuvas volumosas em faixas estratégicas. O norte do Piauí e do Maranhão, somado a boa parte de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, devem ver mais água do que o esperado. Nas regiões onde o Matopiba — grupo que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso — se destaca, o calor também se faz notar, com elevações de até 1 °C. O mesmo acréscimo de temperatura atinge Sergipe, Alagoas e Pernambuco, completando o desenho de um mês atipicamente aquecido de norte a sul.
