Rio de Janeiro (RJ) – O amanhecer desta terça-feira (23) no Morro Dona Marta, em Botafogo, foi marcado por um intenso confronto entre agentes da Polícia Civil e membros do Comando Vermelho. A incursão faz parte da Operação Contenção, uma ofensiva estratégica desenhada para frear a expansão territorial da facção criminosa em áreas estratégicas da capital fluminense.
O tiroteio começou por volta das 05h40, momento em que a movimentação na comunidade já era intensa. Cerca de 50 pessoas, que haviam subido ao mirante da favela para apreciar o nascer do sol, viram o cenário turístico ser subitamente ocupado por granadas e disparos de fuzil. O grupo precisou se deitar no solo e aguardar uma brecha de segurança autorizada pelas forças policiais para conseguir descer a encosta com segurança.
O impacto do confronto extrapolou os limites geográficos da comunidade. Um passageiro que seguia viagem em um ônibus da linha 410, que conecta a Saens Pena à Gávea, foi atingido por um disparo perdido enquanto transitava por Botafogo. O estado de saúde da vítima ainda não foi divulgado. Perto dali, na praça de acesso ao morro, diversos veículos que estavam estacionados foram perfurados pelas balas durante a troca de tiros.
A rotina da região sofreu interrupções severas. Unidades de ensino privado nas redondezas optaram por cancelar as aulas presenciais como forma de resguardar alunos e funcionários, enquanto o posto de saúde local suspendeu todos os atendimentos previstos para o dia.
O balanço parcial da operação indica a prisão de três indivíduos até agora. Embora a corporação mantenha em sigilo o número exato de mandados expedidos para esta fase, o trabalho de inteligência mapeou 44 criminosos com atuação direta na área. O foco central das autoridades permanece a asfixia financeira e logística do Comando Vermelho, atacando desde o braço armado até o fluxo de caixa do tráfico.
O projeto Contenção, iniciado em outubro de 2025 com uma intervenção de grandes proporções no Complexo do Alemão, acumula números expressivos em seu histórico. Desde o lançamento da iniciativa, o saldo das incursões já contabiliza mais de 360 prisões e 137 mortos em confrontos. O poder de fogo confiscado das mãos das organizações criminosas é igualmente alto: foram retirados de circulação cerca de 480 armamentos, sendo 190 deles fuzis, acompanhados de um estoque de mais de 51 mil munições.
