A calmaria que veio de Washington mudou o ritmo dos negócios no mercado financeiro global nesta terça-feira (14). Diante de uma inflação americana mais comportada do que se previa, investidores recalcularam os riscos de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed), abrindo espaço para a valorização de ativos em países emergentes e uma forte queda da moeda americana por aqui.
O dólar comercial recuou 1,12% no encerramento da sessão, cotado a R$ 5,074 — o menor valor nominal registrado desde 15 de junho. Com o resultado, a divisa dos Estados Unidos amplia sua trajetória de desvalorização frente ao real, acumulando uma perda de 7,56% no decorrer de 2026. A perda de fôlego foi global: o índice DXY, que confronta o dólar contra uma cesta de moedas fortes de referência, recuou 0,35%.
Essa correção de rota decorre diretamente dos números recentes do índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos. O indicador apontou uma deflação de 0,4% em junho, superando a estimativa média do mercado financeiro, que projetava uma queda bem mais tímida, de apenas 0,1%. No acumulado de 12 meses, a inflação americana desacelerou para 3,5%, também abaixo das projeções anteriores. A leitura imediata dos operadores de mesa foi de que a pressão sobre o Fed diminuiu de forma relevante, enfraquecendo o dólar globalmente.
Bolsa em alta
O alívio na curva de juros futuros dos Estados Unidos serviu de combustível para as ações na Bolsa brasileira. O Ibovespa, principal indicador da B3, fechou com ganho de 0,51%, fixado aos 176.641 pontos, recuperando com folga o patamar que havia sido perdido na véspera. O fluxo de capital estrangeiro para mercados de maior risco foi amplamente favorecido pela perspectiva de um cenário monetário menos restritivo na maior economia do planeta nos próximos meses.
Pressão no petróleo
No mercado de commodities, no entanto, a dinâmica seguiu ditada pelo cenário geopolítico instável. Os preços do petróleo subiram de forma expressiva e alcançaram as marcas mais elevadas em quase um mês, impulsionados pela escalada de tensões entre o governo dos Estados Unidos e o Irã.
O barril do tipo Brent, referência para o mercado de energia, subiu 1,72%, negociado a US$ 84,73, enquanto o WTI, padrão norte-americano, avançou 1,53%, cotado a US$ 79,34. O fator de sustentação para os preços continua sendo o risco real de desabastecimento, agravado pelo restabelecimento do bloqueio naval norte-americano ao território iraniano. Há forte apreensão sobre a estabilidade no Estreito de Ormuz, canal por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial.
Ainda assim, o fôlego da alta da commodity encontrou um teto ao longo do dia. Analistas ponderam que a energia excessivamente cara tem o potencial de retroalimentar a inflação global, o que fatalmente desaceleraria a atividade econômica e, por consequência, reduziria a demanda global por combustível nos próximos meses.
