Manaus (AM) – A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) iniciou uma ofensiva para esclarecer as causas e as consequências do vazamento de gás registrado na unidade IV da petroquímica Innova. O incidente, ocorrido no final da tarde da última quarta-feira (15), envolveu um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno e mobilizou equipes de resposta a emergências no Distrito Industrial de Manaus.
Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (16), a autarquia sublinhou que a responsabilidade pela operação segura das instalações é da própria empresa, nos termos de suas licenças. A Suframa agora exige informações minuciosas sobre as manobras de contenção e os possíveis impactos na regularidade do projeto aprovado para aquele lote industrial. O superintendente Leopoldo Montenegro reforçou, por meio de vídeo, que a autarquia presta suporte na avaliação das etapas produtivas e dos incentivos fiscais vinculados ao caso.
Mesmo com o controle da ocorrência — o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) utilizou 35 homens, dez viaturas e quatro canhões de água na operação —, o clima no Distrito Industrial permanece tenso. Montenegro chegou a sugerir, institucionalmente, que as empresas próximas liberassem seus funcionários como medida de cautela. Na própria Suframa, os servidores foram orientados a cumprir o expediente de forma remota.
A orientação, entretanto, não foi adotada por todas as companhias da região. Trabalhadores relatam a persistência de um odor forte, comparado a thinner ou tinta fresca, e a ocorrência de sintomas como enjoos, ardência nos olhos e dores de cabeça intensas. Funcionários de empresas situadas a cerca de dois quilômetros da Innova afirmam ter sido obrigados a comparecer presencialmente, com algumas unidades exigindo atestados médicos para qualquer dispensa, mesmo diante do desconforto físico generalizado.
O vazamento foi classificado pela Innova como uma liberação controlada de vapores, disparada por dispositivos de segurança do tanque para impedir uma explosão após uma elevação anormal de temperatura. A empresa garante que o episódio foi contido e que não houve vítimas, descartando riscos à saúde pública ou ao meio ambiente. A versão, todavia, contrasta com os números da Secretaria de Estado de Saúde, que registrou a entrada de 16 pessoas em unidades da rede estadual na quarta-feira com queixas relacionadas ao incidente.
Enquanto o Gabinete de Crise da Prefeitura de Manaus monitora a situação, o odor ainda é perceptível em diversos pontos da capital amazonense, chegando até a região central. A recomendação oficial é que a população evite o trânsito nas imediações do polo industrial. Para quem reside nas áreas afetadas, a orientação é manter portas e janelas fechadas e buscar assistência médica imediata caso surjam sintomas como tontura, dificuldade respiratória ou irritação persistente nas vias aéreas.
