Rio de Janeiro (RJ) – O jornalismo brasileiro perdeu nesta quinta-feira (16) um de seus nomes mais versáteis. Renato Machado, que completou 83 anos, faleceu na Clínica São Vicente, localizada no bairro da Gávea, na zona sul carioca. A unidade hospitalar confirmou o óbito por meio de um comunicado oficial, sem, no entanto, especificar a causa da morte.
Nascido no Rio de Janeiro em 21 de março de 1943, Renato traçou um caminho profissional multifacetado antes de se consolidar diante das câmeras. Filho de um médico e oficial do Exército, Álvaro Dodsworth Machado, e da secretária Fernanda Mattos Machado, ele graduou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Antes de encontrar seu lugar definitivo na notícia, explorou as artes como ator, dublador de cinema e integrante do Teatro Oficina, em São Paulo.
A virada para o jornalismo internacional começou cedo, em 1967, quando foi aprovado em um concorrido processo seletivo da BBC. O período em Londres abriu portas e moldou sua fluência em idiomas, competência que definiria sua trajetória futura. Ao retornar ao Brasil dois anos depois, iniciou uma sólida trajetória no Jornal do Brasil, onde atuou como tradutor e repórter durante 14 anos, chegando ao posto de editor de Internacional.
Sua entrada no departamento de jornalismo da TV Globo ocorreu em 1982. A versatilidade técnica logo o colocou na linha de frente de coberturas complexas, como a Guerra das Malvinas. Pouco tempo depois, em 1983, consolidou-se como correspondente em Londres, onde viveu por seis anos. Entre idas e vindas — incluindo uma breve passagem pela TV Manchete, em 1990, como editor-chefe e apresentador do telejornal Noite e Dia — Renato tornou-se um nome fundamental para a emissora carioca.
Nos anos 90, o repórter especial acompanhou momentos cruciais da história do país. Estava presente no impeachment de Fernando Collor, em 1992, e na cobertura da morte de Ayrton Senna, em 1994, além de realizar reportagens constantes pela América Latina para o Jornal Nacional e o Globo Repórter.
A consolidação como um dos rostos mais conhecidos do telejornalismo veio em 1996. Ao assumir como âncora e editor-chefe do Bom Dia Brasil, Renato liderou uma profunda reformulação na identidade visual e na estrutura do programa. Durante 15 anos, dividiu a bancada com nomes como Leilane Neurbath e Renata Vasconcellos, imprimindo um tom sóbrio e analítico às manhãs.
Mesmo após deixar o Bom Dia Brasil em 2011, ele não encerrou sua ligação com a notícia. Retornou a Londres como correspondente e produziu a coluna Crônicas de Renato Machado para o Jornal da Globo. Em 2016, de volta ao Rio de Janeiro, atuou no Globo Repórter e colaborou com a rádio CBN, enquanto se dedicava a outra paixão: o universo dos vinhos, sobre o qual escrevia com frequência. Seu ciclo na TV Globo foi encerrado oficialmente em novembro de 2021.
