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Governo prepara socorro a empresas brasileiras afetadas por novas tarifas dos EUA
Economia

Governo prepara socorro a empresas brasileiras afetadas por novas tarifas dos EUA

Última atualização: 16 de Julho, 2026 22:33
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Valter Campanato/Agência Brasil
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Brasília (DF) – O governo federal oficializou nesta quinta-feira (16) a retomada de um programa de auxílio voltado a setores da indústria nacional atingidos pela nova política tarifária dos Estados Unidos. Na véspera, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, sob a justificativa de supostas práticas comerciais desleais. O Palácio do Planalto contesta as alegações e já prepara uma resposta técnica para o caso.

As novas alíquotas começam a valer no próximo dia 22 de julho. Em coletiva de imprensa realizada em Brasília, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, classificou a decisão como uma tarifação ilegal e injusta. Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, ele garantiu que o foco imediato será blindar os exportadores prejudicados.

O impacto atinge diretamente os segmentos de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o cenário envolve 2,4 mil companhias brasileiras que, juntas, respondem por 18% das vendas do Brasil aos americanos — um volume financeiro estimado em US$ 7,4 bilhões com base em números de 2024. Para mitigar o golpe, o governo planeja abrir linhas de crédito para capital de giro, financiamento de novos investimentos e auxílio logístico para a diversificação de mercados.

Apesar da retórica agressiva de Washington, mais da metade da pauta exportadora — incluindo carnes, café e itens do setor de aviação — foi poupada desta rodada de restrições. Mesmo assim, o governo monitora a queda na participação dos EUA na balança comercial brasileira, que recuou de 12,1% no ano passado para 9,4% em 2026. Alckmin sinalizou que o Executivo avalia, no momento apropriado, a implementação da Lei de Reciprocidade, norma aprovada pelo Congresso para permitir a suspensão de concessões comerciais em resposta a atos unilaterais que afetem a competitividade do país.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi incisivo ao descrever o movimento americano como uma interferência externa indevida que busca constranger o setor produtivo nacional. Ele reforçou que as acusações dos EUA não encontram respaldo em dados concretos e não devem comprometer a estabilidade macroeconômica brasileira.

Um dos pontos mais curiosos da disputa envolve o Pix. O sistema brasileiro de pagamentos foi alvo de questionamentos norte-americanos durante as negociações. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ironizou a tese de que o Pix prejudicaria empresas de cartão de crédito. Segundo ele, o mercado de cartões cresceu 150% desde a criação da ferramenta, que apenas substituiu o uso de dinheiro físico e cheques. Sobre outras queixas dos EUA, como o desmatamento, o governo também rebateu: o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, apontou que a taxa de derrubada da floresta na Amazônia caiu 50% nos últimos três anos, invalidando as críticas externas.

MARCADOcomércio exteriorEconómiaGoverno Federalindústria brasileiraTarifas EUA
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