Brasília (DF) – O setor público consolidado, que engloba União, estados, municípios e empresas estatais, registrou um déficit primário de R$ 55,3 bilhões durante o mês de junho de 2026. O montante supera o resultado negativo visto no mesmo período do ano anterior, quando as contas públicas haviam fechado com déficit de R$ 47,1 bilhões.
Ao observar o recorte dos últimos 12 meses, o rombo acumulado totaliza R$ 157,2 bilhões, o que corresponde a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB). O dado representa um avanço de 0,06 ponto percentual em comparação ao patamar reportado em maio.
O peso dos juros nominais sobre esse cenário foi considerável. Em junho, o setor desembolsou R$ 110,7 bilhões apenas com o pagamento de encargos, um salto expressivo frente aos R$ 61,0 bilhões contabilizados em junho de 2025. Essa mudança de patamar foi influenciada diretamente pelo desempenho das operações de swap cambial, que passaram de um ganho de R$ 20,9 bilhões no ano passado para uma perda de R$ 9,3 bilhões agora.
Considerando o resultado nominal — que soma o déficit primário aos juros — o mês de junho apresentou um saldo negativo de R$ 166 bilhões. Em uma janela de 12 meses, esse déficit nominal alcançou a marca de R$ 1,31 trilhão, ou 9,99% do PIB, uma aceleração de 0,38 ponto percentual sobre o mês anterior.
No detalhamento por esferas, o Governo Central respondeu por R$ 47,2 bilhões do déficit total, enquanto governos regionais somaram R$ 6,6 bilhões e as empresas estatais contribuíram com R$ 1,5 bilhão negativos.
A trajetória da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) também manteve a tendência de alta, atingindo 68,5% do PIB, o equivalente a R$ 9 trilhões. A elevação mensal de 0,6 ponto percentual foi puxada pelos juros nominais e pelo próprio déficit primário. O impacto foi parcialmente compensado pela desvalorização cambial de 2,4% no período e pelo efeito da variação do PIB nominal.
Paralelamente, a Dívida Bruta do Governo Geral, que considera o governo federal, o INSS e as administrações estaduais e municipais, subiu para 81,9% do PIB, totalizando R$ 10,8 trilhões. Esse aumento de 0,9 ponto percentual no mês reflete, além dos juros, a necessidade de emissões líquidas de dívida para cobrir as despesas correntes.
No acumulado do ano, a Dívida Bruta já registra um crescimento de 3,3 pontos percentuais do PIB. O movimento decorre da incorporação dos juros nominais e da dinâmica das emissões, mitigado apenas em parte pelo crescimento do PIB nominal e por efeitos pontuais da valorização cambial.
