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IA gera racha global com blocos rivais liderados por Estados Unidos e China
Internacional

IA gera racha global com blocos rivais liderados por Estados Unidos e China

Última atualização: 1 de Agosto, 2026 10:11
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Divulgação
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Imagine ter a economia de um país inteiro paralisada porque o acesso a um sistema de inteligência artificial foi cortado por decisões políticas estrangeiras. Esse cenário de vulnerabilidade extrema resume a urgência por trás da atual corrida tecnológica mundial. De um lado, a Casa Branca tenta blindar o mercado com parceiros selecionados; do outro, Pequim articula uma rede aberta, atraindo nações em desenvolvimento que buscam escapar do monopólio das grandes corporações ocidentais. No meio desse fogo cruzado, o Brasil tenta equilibrar sua soberania digital sem se amarrar de forma exclusiva a nenhum dos polos.

Em dezembro de 2025, o governo de Donald Trump formalizou a Pax Silica, uma coalizão criada à margem das discussões multilaterais da ONU. O grupo começou com Japão, Israel, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Singapura, Holanda e Austrália. Hoje, já conta com 23 nações e a União Europeia, tendo recebido em junho de 2026 o reforço de Índia, Catar, Filipinas e de vizinhos latino-americanos como Argentina, El Salvador, Chile, Costa Rica e Panamá. A proposta americana foca na segurança física da cadeia produtiva, garantindo o controle compartilhado de semicondutores, minerais críticos e fontes de energia apenas entre aliados considerados confiáveis.

A armadilha dos sistemas fechados

Para analistas do setor, como Ettore Arpini, fundador da Plures, esse modelo seletivo cria um abismo para quem fica de fora. A dependência de ferramentas corporativas de código fechado — como o ChatGPT da OpenAI, o Claude da Anthropic ou o Gemini do Google — impõe riscos de soberania nacional. Se uma empresa estrangeira muda regras de preço ou bloqueia acessos repentinamente por pressões geopolíticas de Washington, mercados inteiros que dependem dessas tecnologias podem colapsar.

Em oposição a esse cerco, a China inaugurou em julho de 2026 a Organização Mundial de Cooperação em IA (Waico), sediada em Xangai. A iniciativa conta com a assinatura de 29 nações, incluindo pesos-pesados e emergentes como o Brasil, Rússia, Indonésia, Cazaquistão, África do Sul, Quênia, Etiópia, Moçambique, Venezuela, Cuba, Omã e Paquistão. O pilar da Waico é a defesa do código aberto, modelo que permite o uso, estudo e modificação de softwares de inteligência artificial de forma livre, sem contratos de gaveta com multinacionais americanas.

O desafio da infraestrutura no Sul Global

O foco no Sul Global ficou explícito na declaração oficial de criação da Waico, defendendo que os países desenvolvam tecnologias adequadas às suas próprias realidades econômicas. Durante o lançamento, o presidente chinês Xi Jinping enviou recados velados aos EUA, afirmando que a segurança nacional de uma nação não deve ser construída minando a estabilidade alheia. No entanto, especialistas alertam para o pragmatismo por trás da generosidade de Pequim. Sérgio Amadeu da Silveira, professor da UFABC, pondera que o código aberto só terá utilidade real se países como o Brasil construírem infraestrutura local própria de processamento. Sem essa capacidade técnica interna, o país falhará em absorver o conhecimento compartilhado.

A jogada chinesa também tem um forte componente mercantil. Ao disponibilizar modelos abertos, Pequim se posiciona para fornecer o hardware, os chips de processamento e a infraestrutura de rede que rodarão esses sistemas. É uma alternativa comercial direta ao modelo de assinatura das empresas americanas, forçando o mercado global a redefinir suas rotas tecnológicas.

MARCADOEUA e ChinaGeopolíticainteligência artificialPax Silicasoberania digital
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